Desafio a ser vencido – I

Imagem Ilustrativa – Reprodução

Por Bolanger José de Almeida*

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE divulgou em 2017 a situação sócio/econômico-geográfica do brasil mostrando as desigualdades existentes entre as diversas regiões, bem como buscamos informações na secretaria do estado de trabalho e assistência social-setas, no ministério de desenvolvimento e assistência social-mds e na organização internacional do trabalho-oit.

Nosso trabalho teve como foco a comparação entre os 12 municípios da baixada (Cuiabá, Várzea Grande, Nova Brasilândia, Santo Antônio do Leverger, Nossa Senhora do Livramento, Jangada, Rosário Oeste, Chapada dos Guimarães, Nobres, Acorizal, Barão de Melgaço e Poconé) e 12 municípios que chamamos de emergentes (Sinop, Sorriso, Tapurah, Ipiranga do Norte, Lucas do Rio Verde, Campo Verde, Campo Novo dos Parecis, Sapezal, Rondonópolis, Primavera, Nova Mutum e Querência).

Os municípios da baixada segundo o IBGE em 2010, data do último senso, tinha 971.437 habitantes e hoje conta com 1.003.086, tendo um aumento populacional de 2,71% tendo algumas cidades diminuída sua população. Já os emergentes tinham 610.321 habitantes e hoje tem 728.822, teve um aumento de 19,33%. Dá pra ver claramente a forte migração que as cidades emergentes, tiveram provavelmente à procura de trabalho de nossos jovens por causa do agro-negócio e o esvaziamento das cidades da baixada. Existe algum erro nisso? Não, o jovem tem que procurar trabalho onde ele estiver.

É bem provável que as pessoas que tem ido atrás de oportunidades de trabalho, tenham alguma qualificação, pois na capital temos as melhores universidades, hospitais e escolas de formação técnica.

A baixada cuiabana tem 27,34% a mais de população do às cidades emergentes analisadas, entretanto, a baixada recebe 47.179 bolsas família, as emergentes recebem 14.237. Somente esse número mostra que a baixada cuiabana recebe 231,38% a mais de bolsa que as cidades emergentes, isso só nesse quesito que estamos nesse momento divulgando e colocando para a sociedade e que é necessário diminuir e acabar com essa desigualdade. Além disso, a governo do estado de mato grosso criou uma bolsa chamada “pró família” concedendo aos municípios da baixada 3.855 bolsas e aos emergentes 1.413 bolsas, sendo que a baixada recebeu 157,68% a mais que as emergentes.

Se fizermos uma análise mais aprofundada vamos verificar que a baixada deveria ter em torno de 30% de bolsas a mais que as emergentes, por causa da população, entretanto, observamos que na bolsa família a diferença é de 231,38% e na pró família é de 157,68 favorável à baixada.

É necessário um esforço de toda sociedade mato-grossense, especialmente as de cuiabá e seu entorno juntamente com o governo do estado e governo federal para criar políticas públicas para melhorar esse quesito. Somente com essa análise, podemos afirmar com toda segurança que temos dois Mato Grosso: um com uma situação econômico financeira e social boa e outra em situação critica e que sobra desemprego e violência.

Quando falamos em violência, não podemos afirmar que elas estão somente na baixada, mas também em todo o estado uma vez que a forte migração, a falta de qualificação e trabalho provoca também violência.

 

Em nossos próximos artigos estaremos publicando outros indicadores que nos levam a uma análise mostrando ainda mais a distância que essas desigualdades provocam.  

Bolanger José de Almeida é Professor Mestre Adjunto IV da UFMT,Auditor,Perito e Consultor