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(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Caso de mulher morta, deixada nua e incendiada intriga a polícia

Uma mulher não identificada foi vítima de um crime brutal, com requintes de crueldade. Ela foi encontrada em uma área de mato alto, ainda com o corpo em chamas, por moradores da região, em Samambaia. Polícia investiga o caso

Ao lado de casas onde outras mulheres vivem atrás de grades de proteção, o corpo de uma jovem foi encontrado nu, em chamas, mutilado, com marcas de facadas e indícios de violência sexual. A quantidade de golpes, ao menos 22 somente na região acima do abdômen, expõe a brutalidade e covardia do agressor. O fogo consumiu quase toda a metade inferior da vítima e pode esconder sinais de mais ferimentos e abusos.

A vítima estava na entrada do Parque Gatumé, em Samambaia, cerca de 10 metros mato adentro. Por volta de 5h da madrugada de sábado (7/5), vizinhos do parque viram fumaça nas proximidades, mas como a queima de veículos roubados é comum na área, não deram muita atenção.

Duas horas depois, um morador saiu para jogar o lixo e se aproximou do local em que, além da fumaça, era possível ver chamas altas. O susto veio ao perceber que não se tratava de lixo ou de um carro, mas de um corpo. “Corri para casa para chamar a polícia e fechei tudo antes, por uma questão de segurança”, lembra. O cenário aturdiu até mesmo as equipes acostumadas a lidar com crimes violentos na região.

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) chegou rápido na área e precisou pegar água em uma casa vizinha para extinguir o que restava do fogo, que ainda queimava a vítima. “Foram muitos golpes, mais de 20 só na área que não foi atingida pelo fogo. É muito provável que tenha sofrido outras lesões na região do abdômen. Ela tinha, também, ferimentos de defesa nos braços”, revela Rodrigo Carbone, delegado da 28ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte).

Responsável pela investigação, Carbone avalia que, entre as diversas lesões, um corte grande e profundo no pescoço se destacava. O corpo ficou muito deteriorado da cintura para baixo, e o vestido da vítima foi abandonado ao lado dela. As mãos fechadas, carbonizadas e separadas do corpo dificultam a identificação da mulher. Elementos que fortalecem as suspeitas de crime sexual. Até o fechamento desta edição, a identidade da vítima não havia sido confirmada.

Carbone explica que o caso é tratado como feminicídio, uma vez que o protocola da PCDF determina que toda morte violenta de mulher deve investigada, inicialmente, como crime em razão de gênero.

Abandono

O Parque Gatumé fica em uma área de proteção ambiental, tem cerca de 150 mil hectares e, além de ser alvo da ação de grileiros, está esquecido pelas autoridades, segundo vizinhos da região. Próximo à via principal de Samambaia Norte, com mato alto, com mais de um metro de altura, e sem iluminação, é uma área propícia para abandono e ocultação de corpos.

 

Por AILIM CABRAL e ANA MARIA POL / CORREI BRAZILIENSE