Bovespa, qual o momento ideal ?

Sempre a história se repete. Enquanto a Bolsa sobe, quem tem uma reserva financeira para investir quer entrar no mercado de ações a qualquer custo. E quando começa a balançar, quem entrou se desespera para sair. “Essa postura está cem por cento errada”.

Quando alguém decide participar do mercado de ações, deve obedecer a três requisitos:

  1. a) conhecer o mercado;
  2. b) ter visão de longo prazo;
  3. c) aplicar apenas uma quantia que não irá lhe fazer falta;

Quem entrou no mercado de ações em um momento de alta e fica se questionando se deve sair porque da Bolsa caiu, concluo que nem deveriam ter entrado. Ou esta pessoa não conhece como funciona a Bolsa, ou aplicou um dinheiro que não podia ou tem visão de curtíssimo prazo.

Lembro que um erro muito comum é quando o investidor despreparado se deixa levar pela empolgação das altas constantes da Bolsa e resolve investir valores de que irá necessitar em breve para troca de um carro ou até uma viagem de férias.

Lembro de vários casos que procuram a minha consultoria; utilizavam parte de suas economias em compra de ações na tentativa de aumentar o capital. Só que eles compravam em um momento de alta e nas primeiras quedas venderam tudo – e saíram com menos do que entraram.

Quando o investidor decide que deve destinar parte do seu capital em renda variável, ele deve manter essa participação, independente das oscilações. A perda só acontece se vender suas posições no momento de baixa.

Realizar perdas, portanto, significa vender o papel que se comprou com valor maior a um preço menor. Historicamente, quanto maior é o tempo de permanência na Bolsa, mais rendimento do que na renda fixa será obtido.

Sem dúvida é difícil acertar a entrada e saída. Recomendo que as pessoas sejam firmes ao investir em ações e não se precipitem nem para sair nem para entrar. As pessoas são seduzidas pelo curto prazo e os leigos não ajudam. Ficam falando para aproveitar a onda e investir.

Por isso, quem está preparado, informado e bem aconselhado se sai melhor. Não adianta ser juiz, empresário, cientista ou dentista, e, de um dia para o outro, resolver especular na Bolsa. É quase certo que vai se dar mal.

Caro leitor, se mesmo seguindo todos esses conselhos, com um valor que não é fundamental para a sua vida, ainda assim você passa mal até fisicamente com as quedas da Bolsa, sem dúvida você é uma pessoa avessa a riscos e não tem o perfil adequado para investir em renda variável.

Nesse caso, é melhor sair do mercado do que perder a saúde.

 

SÉRGIO SARRO, é Consultor Financeiro especialista em planejamento, orçamento, controles e gestão financeira. Diretor na Personal Bank Soluções Financeiras. sergio.sarro@personalbank.com.br