Manifestações contra o governo Bolsonaro, no Vale do Anhangabaú. Foto Rubens Cavallari/Folhapress

ÁGUA E ÓLEO

Por Jeverson Missias de Oliveira *

A difícil mistura entre os opositores de Jair Bolsonaro foi vista ontem em protestos em algumas capitais brasileiras. Segundo a repórter Mariana Schreiber, da BBCNews Brasil, a principal resistência a comparecer veio do PT, maior partido da esquerda, e de movimentos próximos ao petismo, como a Central Única dos Trabalhadores — organizações que, desde a campanha pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, são adversários de MBL e Vem pra Rua.

Uma pesquisa com os participantes do ato da avenida paulista deste domingo mostra que a resistência é mútua: Embora 85% dos entrevistados tenham concordado que “para o impeachment de Bolsonaro, é preciso uma ampla aliança que vai da direita à esquerda”, 38% disseram que não participariam de uma manifestação junto com o PT. Outros 33% responderam que não ocupariam as ruas ao lado da CUT, e 31% não protestariam com o movimento dos trabalhadores sem teto (MTST).

 O levantamento, coordenado pelos professores da Universidade de São Paulo (USP) Pablo Ortellado e Márcio Moretto, entrevistou 841 manifestantes e tem margem de erro de 4 pontos percentuais para mais ou para menos. “O resultado é bem contraditório. As pessoas que foram ao ato querem uma frente ampla contra Bolsonaro, mas quase 40% dizem que o PT é demais pra engolir”, nota Ortellado.

Para atrair parte da esquerda, o MBL e o Vem pra Rua abandonaram o mote inicial da convocação, “nem Bolsonaro, nem Lula”, que defendia o fortalecimento de uma candidatura presidencial alternativa à disputa hoje polarizada entre o atual presidente e o ex-presidente petista Luís Inácio Lula da Silva.

O PT e outros partidos e movimentos de esquerda planejam protestos contra Bolsonaro para 2 de outubro. Segundo Ortellado, a equipe da USP quer pesquisar também nessa manifestação a aceitação da esquerda a participar de atos com grupos da direita. Ele suspeita que identificará uma resistência semelhante do outro lado. “Um pedaço da direita não engole o PT, e um pedaço da esquerda não engole o MBL.

Como se sabe, uma frente ampla para aprovar o impeachment ou para derrotar o Bolsonaro no segundo turno de 2022 precisa superar essas duas resistências”.

* Jeverson Missias de Oliveira é Economista, Especialista em Ciências Políticas e Administração Pública, Bacharel em Direito, Radialista e Jornalista. É editor deste portal.

 

 

 

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