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© Marcello Casal JrAgência Brasil

Trabalho remoto economizou R$ 1,4 bilhão aos cofres públicos na pandemia

O governo federal economizou R$ 1,4 bilhão com os servidores públicos em trabalho remoto — o chamado home office ou teletrabalho —, durante a pandemia da covid-19. O levantamento do Ministério da Economia (ME), divulgado nessa terça-feira (3/8), aponta a redução de gastos entre os meses de março de 2020 e junho de 2021 com diárias em viagens a trabalho, passagens e despesas com locomoção, serviços de energia elétrica, água e esgoto, e cópias e reprodução de documentos.

“A transformação digital dos serviços públicos possibilitou que, mesmo durante a pandemia, os cidadãos brasileiros não deixassem de ser atendidos em razão do trabalho remoto dos servidores públicos decorrente das restrições sanitárias”, explicou o secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do ME, Caio Mario Paes de Andrade.

Segundo informações da Economia, atualmente, mais de três mil serviços já são digitais e podem ser feitos remotamente, de casa ou de qualquer outro lugar com acesso à internet. “Esses recursos economizados nos gastos de custeio poderão ser utilizados pelos órgãos em atividades finalísticas, para atender melhor cidadão”, defendeu o secretário especial.

Ainda segundo o governo, o trabalho remoto realizado durante a crise sanitária é um incentivo para a adesão dos órgãos do poder público ao Programa de Gestão (PG), que permite a implementação do teletrabalho. “Atualmente, cerca de 190 mil servidores estão trabalhando de forma remota, o que representa aproximadamente 32% do total de servidores ativos do Executivo federal. Com a implantação do teletrabalho, existe a possibilidade de manutenção de parte desses servidores nesse modelo, aproveitando as oportunidades geradas e que devem permanecer no período pós-pandemia”, disse nota do Ministério.

Na conta do trabalhador
Apesar de o governo comemorar a subtração bilionária da folha de ponto dos servidores, a conta de itens como energia elétrica e água apenas foram transferidas para o bolso do trabalhador, que por estar integralmente em casa, acaba tendo maiores gastos com energia elétrica e água, por exemplo.

“O teletrabalho desonerou o empregador em muitos aspectos, como com passagens para reuniões, vendas e cursos; e com energia, água, lanches, café. Por outro lado, onerou o trabalhador, principalmente com o custo de energia e, em alguns casos, com tecnologia, pois muitos trabalhadores aumentaram seus pacotes de dados de internet e até adquiriram algum equipamento para facilitar o trabalho remoto, feito de suas casas”, explica Rogério Olegário, planejador financeiro pessoal.

Segundo o especialista, isso não significa que o trabalhador tenha tido prejuízos, pois também foi desonerado de outros gastos. “O trabalhador economizou com vestuário, combustível ou passagem no transporte público e alimentação fora de casa. Neste último item, o ganho foi muito interessante, pois as empresas, mesmo trabalhando remotamente, não deixaram de pagar o auxílio alimentação e o empregado passou a se alimentar em casa, o que sabemos ser mais em conta que na rua”, afirma Olegário.

De acordo com pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 20,8 milhões de pessoas atuam em home office, o que corresponde a 22,7% dos postos de trabalho. Quem mais trabalha em casa são os profissionais da ciência e intelectuais (65%), diretores e gerentes (61%), apoio administrativo (41%) e técnicos e profissionais de nível médio (30%).

Apesar de atrativa em um primeiro momento, a modalidade de trabalho remoto pode ser mais difícil para algumas pessoas. Outra pesquisa realizada durante a pandemia, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV-EAESP), mostrou que 56% dos 464 entrevistados encontraram muita dificuldade ou dificuldade moderada em equilibrar as atividades profissionais e pessoais no teletrabalho. O levantamento constatou ainda que, para 45,8%, houve aumento da carga de trabalho após o isolamento; 34% dos entrevistados consideraram difícil ou muito difícil manter a motivação; e 36% afirmam ser difícil ou muito difícil continuar com a mesma produtividade.

 

 

Correio Braziliense