PHOTO/COB/ISMAR INGBER

O LEGADO DA INTEMPESTIVIDADE

Por Jeverson Missias de Oliveira *

A observação do desenrolar da olimpíada Tokyo 2020, nos remete a lembrança de dois eventos, que geraram na ocasião para nós brasileiros, grande entusiasmo. Copa 2014 e rio 2016.

Era uma excepcional oportunidade do Brasil mostrar ao mundo seu poder de investimento público, organização, e riquezas industriais e naturais. E com isso atrair investimentos.

Imagens do presidente Lula e de Pelé, saltitantes comemorando as confirmações da realização desses feitos por aqui, percorreram os principais canais televisivos.

Com esses megaeventos o Brasil seria mesmo notícia no mundo inteiro. E foi. Mas, contrariamente ao que se esperava essa ampla divulgação nos rendeu um efeito inverso.

Iniciou-se alí a derrocada do Brasil no exterior.

É o que mostra uma recente pesquisa feita por Anholt-Ipsos Nation Brands, que mede a percepção das pessoas sobre os países em áreas como governança, exportação, cultura e população. O estudo é feito sistematicamente desde o ano de 2005.

Mas por que a olimpíada e a copa do mundo serviram de publicidade negativa ao Brasil?

Porque o mundo passou a conhecer mais sobre a pobreza, a desigualdade social, a violência e a corrupção existentes no país.

Antes disso o Brasil mantinha uma estabilidade em sua marca externa, ou seja, como era visto lá fora.

Ao sediar grandes eventos internacionais os países são expostos a matérias sobre a nação-sede.

Nesse aspecto entra de tudo: história, política, segurança, economia etc.

Ou seja, no caso do Brasil, as reportagens jogaram os holofotes não apenas nos aspectos positivos, como cultura e belezas naturais, mas também nos problemas políticos, econômicos e sociais.

Lembremos que em 2014, ano da copa do mundo, o nosso país vivia o início de uma prolongada crise econômica.

Em 2016, ano da olimpíada do Rio de Janeiro, a operação lava jato avançava, implicando políticos de peso no esquema de corrupção da Petrobras. Enquanto isso, o senado estava prestes a confirmar o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Segundo Anholt, a ampla divulgação do Brasil durante os dois campeonatos internacionais ajudou a derrubar, uma imagem “mistificada e irreal” que grande parte do mundo tinha do país -de aberto, tolerante, alegre e voltado à música e ao futebol.

O fato de a copa do mundo de 2014 e a olimpíada de 2016 terem sido eventos bem-sucedidos, sem intercorrências graves, não mudou em nada o impacto negativo que os holofotes provocaram. Já se esperava que os eventos fossem bem-sucedidos. O que surpreendeu as pessoas foram as evidências da pobreza, desigualdade, violência, corrupção. E elas meio que não estavam esperando por isso

O Brasil gastou mais de R$ 41 bilhões para fazer a olimpíada do Rio de Janeiro e outros R$ 26 bilhões para a copa do mundo.

Isso tudo, são reflexos de ações intempestivas.

Infelizmente planejamento não é o forte dos nossos governos.

* Jeverson Missias é Economista, Bacharel em Direito, Especialista em Administração Pública e Ciências Políticas, Radialista e Jornalista, Editor desse site.

 

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