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O IMPACTO DA PANDEMIA NA EDUCAÇÃO

Jeverson Missias de Oliveira *

São claros, os impactos negativos causados pela pandemia de covid-19 na educação brasileira que podem ser graves e duradouros, segundo relatório do banco mundial.

A América latina e o caribe têm hoje 170 milhões de estudantes e já vive a chamada “crise de aprendizagem”, com sérios problemas na qualidade e equidade da educação.

O relatório alerta ainda que a pandemia pode fazer com que os sistemas educacionais da américa latina regridam e voltem ao que eram nos anos 1960, com consequências duradouras para toda uma geração. 

Ainda de acordo com o relatório do banco mundial, mais de 1,5 bilhões de alunos ficaram sem estudos presenciais em 160 países. Frequentemente, as pessoas associam o ensino à distância com a necessidade de uma alta tecnologia, intermediada por plataformas digitais com acesso à rede.

Além das questões de infraestrutura e conectividade, a implementação de novas modalidades de ensino de forma rápida, devido à pandemia, explicitou a necessidade de preparação dos professores e gestores de escola.

Na falta disso, há a tendência do professor reproduzir o modelo presencial, utilizando o mesmo calendário e grade curricular. Segundo os especialistas, esse é o principal problema, pois a postura pedagógica em ensino e.a.d é diferente, em relação às questões mais técnicas, como por exemplo, dar a aula online, gravar vídeos, preparar materiais que possam ser compartilhados com os alunos, entre outros. 

A preocupação soma-se, ainda, com a participação dos estudantes. Além do mais, esse preparo exige tempo, não ocorre do dia para a noite. Deve ser dito tambem que a pandemia do novo coronavírus não deixou espaço para especialização dos educadores.

Além do que há a dificuldade de estrutura tecnológica. Nem todos os municípios possuem tecnologia para oferta de ensino remoto e nem todos os professores têm a formação adequada para dar aulas virtuais.

Outra realidade que complica a adesão de alunos às aulas on-line são os softwares utilizados para esse fim, que, em sua grande maioria, são desenvolvidos para funcionar em computadores — ambiente acessado atualmente por apenas 57% da população brasileira, segundo o IBGE muitas crianças da Geração Z nunca ligaram um computador e 97% dos brasileiros acessam a internet pelo celular.

Observa-se também que é gigante a desigualdade entre os sistemas públicos e privados da educação básica — e a própria distância social entre as famílias dos estudantes. Enquanto alunos de escolas particulares aprendem por meio de diversos recursos e estratégias combinadas, como vídeo ao vivo ou gravado, envio de tarefas, mentoria e sessões em grupos menores para tirar dúvidas, muitos estudantes das escolas públicas sequer têm acesso à internet. 

A questão é que fomos todos pegos de surpresa.  E os desafios são enormes. Em maior ou menor grau, a comunidade terá que se adequar.

O ensino nunca mais voltará a ser o que era antes. Estamos nos libertamos das paredes da sala de aula e existe um mundo de oportunidades nas mãos dos jovens. Os professores vivenciarão novas formas de ensinar, novas ferramentas de avaliação.

E os estudantes entenderão que precisarão de organização, dedicação e planejamento para aprender no mundo digital.

 

* Jeverson Missias de Oliveira é Economista, Especialista em Ciências Políticas e Administração Pública, Bacharel em Direito, Radialista e Jornalista. É editor deste portal.

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