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VULNERABILIDADE

Por Jeverson Missias de Oliveira *

Me permitam discorrer sobre essa questão, que para muitos está longe de seus interesses imediatos. Mas que é extremamente importante a divulgação e até disseminação destas informações.

Recentemente falei aqui, sobre o verdadeiro apartheid alimentar” e a segregação de raça, classe e gênero que vem existindo no Brasil.

O empobrecimento de grande parte da população, que vem crescendo nos últimos anos; agora ganhou corpo e se transformou em um grande mostro a ser debelado.

Isso mostra o tamanho da nossa vulnerabilidade. A pandemia colaborou para isso. E muito. Em todos os cantos do país pessoas tiveram suas rotinas completamente mudadas. São pessoas vivendo à margem da sociedade.

Famílias que antes tinham um teto para morar estão hoje engrossando as estatísticas e mudando o perfil dos moradores de rua.

Agora, não são apenas aqueles que são marginalizados por usos de drogas ilícitas que estão ao relento.

Nas grandes cidades, e nas mais ricas, o contraste se acentua cada vez mais.

Dia destes, conversei com um casal ainda jovem. Ele 35 e ela 32 anos. Por questão de privacidade do casal, vou descreve-los pelos nomes fictícios de Francisco e Josefa.

Junto aos dois filhos, um de 11 e outro de 9 anos eles tiveram que deixar a casa onde moravam de aluguel no final do ano passado. Segundo ele, por causa dessa pandemia, perdeu o emprego no início de dezembro do ano de 2020.Ele trabalhou como atendente em uma lanchonete por três anos”, já sua esposa trabalhava como auxiliar de limpeza de uma empresa e ficou desempregada na mesma época

Acabou o dinheiro para o aluguel e as parcas economias tambem se foram. O senhorio sem receber o aluguel, os colocou literalmente, na rua.

Não restou opção que não fosse a compra de alguns compensados de madeira para improvisar um barraco sem teto, sob um viaduto na cidade e frequentar diariamente as filas de casas de caridade que distribuem marmitas, e assim, terem acesso a pelo menos uma refeição ao dia.

Diariamente saem os 4, rodando a cidade a pé distribuindo curriculum. São acostumados ao trabalho e é essa a vida que querem para si e os filhos.

Outro fenômeno, aliado à insegurança alimentar é sentido em algumas unidades básicas de saúde. Médicos, enfermeiros e outros profissionais relatam que, nos últimos meses, têm percebido um aumento no número de pessoas que dão entrada em centros de saúde pública com sintomas, que acreditam ser de alguma doença, mas, na verdade, estão famintas.

Comemoramos, dia desses, a retomada do crescimento, o PIB aumentou um pouquinho e milhões repercutiram esse assunto nas redes sociais. Mas, essa onda de crescimento não reverbera para essa população. Esse crescimento é desigual e abandona esses mais vulneráveis, sem emprego ou renda. Coisa triste de se ver em um país rico.

Como dito anteriormente, compete, não só aos governos as ações para minimizar esse sofrimento. Nós podemos e devemos ser partes proativas nesse sentido. Além da compra de uma paçoquinha em um sinal qualquer, certamente poderemos fazer algo mais.

Faça a sua parte.

* Jeverson Missias de Oliveira é Economista,Bacharel em Direito com especialização em Ciências Políticas e Administração Pública, Radialista e Jornalista, é Editor deste portal.

 

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