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INSEGURANÇA ALIMENTAR

Por Jeverson Missias de Oliveira*

Segundo o F.A.O – Órgão da ONU para a alimentação e agricultura, um estudo divulgado pela rede brasileira de pesquisa em soberania e segurança alimentar e nutricional (Rede Penssan), realizado em 2021 denominado de “O Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil”, mostra que, menos da metade dos domicílios brasileiros (44,8%) tinha seus moradores em segurança alimentar. Dos demais, 55,2% que se encontravam em insegurança alimentar; 9% conviviam com a fome, ou seja, estavam em situação de insegurança alimentar grave, sendo pior essa condição nos domicílios de área rural (12%).

Do total de 211,7 milhões de brasileiros(as), 116,8 milhões conviviam com algum grau de insegurança alimentar e, destes, 43,4 milhões não tinham alimentos em quantidade suficiente e 19 milhões de brasileiros(as) enfrentavam a fome. Observou-se que a insegurança alimentar grave no domicílio dobra nas áreas rurais do país, especialmente quando não há disponibilidade adequada de água para produção de alimentos e distribuição aos animais.

A pesquisa mostra o aumento da fome no Brasil aos níveis observados em 2004, na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), quando a insegurança alimentar moderada estava em 12% e a grave em 9,5%. Na pesquisa atual, os dados mostram o primeiro quesito em 11,5%, e o segundo em 9%.

É o pior índice desde então. Em 2004, o país tinha 64,8% da população em segurança alimentar, hoje tem 44,8%. Até 2013, pesquisas mostravam regressão da fome no país. A pesquisa de orçamentos familiares 2017-2018 do IBGE, no entanto, evidenciou o aumento da insegurança alimentar. Hoje, é ainda maior.

Mas, a preocupação não se limita apenas ao Brasil.

De acordo com matéria publicada pela BBC News Brasil, nos Estados Unidos, os chamados “Desertos Alimentares” condenam milhões de pessoas a comer pouco e mal. Dentre os destaques negativos está a cidade de Miami.

A dois quarteirões da praia, em meio a hotéis de luxo e altos edifícios residenciais com vista para o Biscayne Boulevard, na melhor parte do centro da cidade, o poder do dinheiro é visível.

Não há crise ou pandemia ali, ou pelo menos não parece haver. Cinco quarteirões adiante, contudo, uma outra Miami se descortina. Aquela que não pode ser vista, que existe à sombra da opulência.

Em Overtown, um dos bairros mais pobres da cidade, é difícil encontrar alimentos nutritivos.

Overtown é um dos milhares “desertos alimentares” espalhados pelos estados unidos, e neles vivem 47,4 milhões de americanos, segundo especialistas da divisão de economia de alimentos do departamento de agricultura dos estados unidos.

“Quem vive nos desertos alimentares corre o risco de desenvolver sérios problemas de saúde e morrer 15 anos mais cedo do que a média da população”, afirma o médico Armen Henderson, que trabalha no Uhealth Tower Hospital e é pesquisador da universidade de Miami. O especialista fala com conhecimento de causa pois mais de uma noite foi dormir com fome quando era criança e chegou a viver na rua.

Outros dizem não serem desertos, isso é realmente um “Apartheid Alimentar”, argumentando que no sistema alimentar dos Estados Unidos há segregação de raça, classe e gênero.

As áreas onde existe esse “Apartheid Alimentar”, acrescenta, foram objeto de uma prática com profundas raízes históricas chamada “redlining” (“red” significa vermelho e “line”, linha).

Redlining” remonta à década de 1930, quando hipotecas eram negadas a americanos em comunidades habitadas por minorias étnicas.

Naquela época, a cor vermelha era usada nos mapas das instituições financeiras para delimitar “zonas perigosas”, onde não havia previsão de investimento.

Uma linha vermelha que, ao longo do tempo, fez uma grande diferença no acesso a alimentos da melhor qualidade.

Infelizmente essas “redlining” continuam sendo exercitadas nos dias atuais em todas as partes do mundo. E compete, não só aos governos as ações para minimizá-las. Nós podemos e devemos ser partes proativas nesse sentido.

* Jeverson Missias de Oliveira é Economista, Especialista em Ciências Políticas e Administração Pública, Bacharel em Direito, Radialista e Jornalista. É editor deste portal.

 

 

 

 

 

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