• Home
  • Polícia
  • Mãe e tia são presas por manter menino de 3 anos em tambor de plástico

Mãe e tia são presas por manter menino de 3 anos em tambor de plástico

A Polícia Militar prendeu na tarde da quinta-feira (25) a mãe de um menino de 3 anos e a tia dela, após encontrar a criança nua dentro de um tambor de plástico na casa na zona leste de São Paulo. As duas foram presas em flagrante e indiciadas por sequestro, cárcere privado e tortura.

O garoto foi resgatado e encaminhado a um pronto-socorro. Ficou constatado que ele estava desidratado e desnutrido, segundo o Conselho Tutelar. Medicado, foi encaminhado a um abrigo.

O caso acontece menos de um mês de outro similar em Campinas (93 km de SP). Em 30 de janeiro, PMs encontraram um garoto de 11 anos dentro de um barril com os pés e mãos amarrados por correntes. O Ministério Público Estadual denunciou a família do menino de Campinas à Justiça pelo crime de tortura.

A situação do garoto de 3 anos morador da zona leste só foi revelada após uma denúncia anônima ao Conselho Tutelar. Ao visitar o local, os conselheiros chamaram a PM. Os policiais deram voz de prisão em flagrante para a mãe do garoto e para a tia dela, que seria a dona da casa onde todos moravam.

As duas foram encaminhadas ao 50º DP (Delegacia de Polícia) do Itaim Paulista (extremo da zona leste de São Paulo). A reportagem não localizou a defesa das duas até a publicação desta reportagem.

Imagens de um vídeo que integrou a denúncia ao Conselho Tutelar, mostram o garoto dentro do tambor de plástico tampado, no canto de um dos cômodos da casa. Ao lado, uma cadeira de rodas que seria da criança, já que relatos disseram de que o garoto tem deficiência mental, segundo o Conselho Tutelar.

Ao ser presa, a mãe da criança preferiu ficar quieta e só falar em juízo. A tia relatou saber que o menino era vítima de tortura e brigava constantemente com a sobrinha devido aos maus-tratos sofridos pelo menino.

Ainda em depoimento, segundo a polícia, a tia disse que pedia à sobrinha para não deixar o menino naquela situação e que até ameaçou denunciar a mãe da criança ao Conselho Tutelar, o que acabou não fazendo.

A conselheira tutelar que atendeu ao caso, Paula Regina Alves Velozo, afirma que ficou em choque ao ver a cena. “Antes de mais nada, a gente pede para que um tipo de denúncia assim não seja verdade. Sinceramente, nem sei explicar o que senti. Fiquei anestesiada”, disse.

Ela disse ter lembrado do caso do garoto de 11 anos mantido em um barril pela família em Campinas. “É tortura tal qual”, afirmou.

Paula disse que o menino ficará em um abrigo para não ter contato com outros moradores do local. Como a família da mãe é do Nordeste, contatos estão sendo feitos para localizar parentes.

Embora a tia relatado à polícia, segundo boletim de ocorrência, que o garoto só ficava no local após as refeições, testemunhas afirmaram que a criança ficava todo tempo dentro do tambor, segundo a conselheira. “Eu fiquei com ele no colo. Ele não anda, não senta, não tem reação alguma. Disseram que ele era colocado no barril após as refeições apenas para não sujar a casa, porém, não é o que nos pareceu”, disse.

Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), da gestão João Doria (PSDB), o delegado responsável pelo caso pediu à Justiça a prisão preventiva das duas. O local onde o garoto foi localizado passará por perícia para esclarecer a circunstâncias em que ele era mantido e para entender qual é a responsabilidade de cada uma no crime.

 

 

 

CLAYTON FREITAS E ALFREDO HENRIQUE VIA FOLHAPRESS