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Montadoras são indagadas sobre posição ecológica frente a atraso na redução da poluição veicular

Grandes empresas automobilísticas receberam, nesta quarta-feira (3), uma carta em que são questionadas sobre os compromissos e os posicionamentos ambientais declarados.

O questionamento ocorre por causa da tentativa da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) de postergar a adoção de tecnologias de controle de poluição em veículos.

As indagações foram enviadas pela Coalizão Respirar, que é composta por mais de 30 ONGs com atuação em prol da melhoria da qualidade do ar no Brasil.

A reportagem teve acesso às cartas enviadas à Volkswagen, Scania, Volvo, Mercedes-Benz, Scania e Iveco.

Na carta direcionada à Volvo, mais especificamente a Wilson Lirmann, presidente do grupo na América Latina, a Fabiano Todeschini, presidente da Volvo Ônibus na América Latina e a Alexandre Parker, diretor de responsabilidade corporativa e institucional do grupo, a Coalizão destaca um trecho do relatório de sustentabilidade da empresa.

“Para o Grupo Volvo, os serviços e a infraestrutura de transporte sustentável devem mover pessoas e bens –promovendo o desenvolvimento social e econômico no presente e no futuro– de forma segura, acessível e eficiente, com redução contínua de emissões e de outros impactos ambientais”, afirma o trecho destacado.

As cartas para as outras empresas vão no mesmo caminho, destacando declarações e compromissos relacionados à sustentabilidade e qualidade do ar.

Em seguida, a carta parabeniza a empresa por compromissos firmados em 2017 para enfrentar mudanças climáticas e poluição, entre elas, motores livres de fuligem em determinadas cidades, entre elas, São Paulo.

A Coalizão diz que, assim, causam estranhamento as ações da Anfavea, associação representante das montadoras. “Essa entidade […] tem atuado historicamente para postergar os prazos de mudanças de fase dos programas de controle de poluição do ar. Atualmente, busca adiar ainda mais a adoção da fase P-8 do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), que, mesmo já com a tecnologia disponível há anos no mercado internacional, deve ser implementada oficialmente apenas em 2022/2023”, diz a carta.

A Anfavea tem afirmado publicamente que gostaria que o prazo para adoção da nova fase do Proconve seja adiado para meados da década atual, por causa de questões econômicas e de desafios tecnológicos oriundos da pandemia de Covid-19.

O MPF (Ministério Público Federal) já se posicionou contra o adiamento em texto enviado a Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, e demonstrou preocupação quanto ao assunto. O documento da procuradoria afirma que cada ano de atraso de implementação de novos padrões de controle de emissões pode resultar em 2.500 mortes anuais prematuras.

A decisão sobre o possível adiamento será do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), presidido por Salles.

A carta enviada às empresas automobilísticas afirma ainda que a adoção dos novos padrões “também evitará, até 2050, 155 mil internações hospitalares, o que representaria uma economia de 575 milhões de reais ao sistema de saúde brasileiro”.

“Diante do exposto, estamos certos de que sua organização não compactua com um tratamento diferenciado que prejudique a qualidade do ar nas cidades brasileiras e sua população”, afirmam as cartas enviadas.

 

 

 

PHILLIPPE WATANABE VIA FOLHAPRESS