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CPI das Fake News de SP chega ao fim sem mostrar resultados e com frustração entre deputados

A CPI das Fake News da Assembleia Legislativa de São Paulo chegou ao fim nesta quinta-feira (3) com um sentimento de fracasso entre os seus próprios membros.

Tanto é assim que o relatório final aprovado pela comissão não foi o do relator, Sargento Neri (Avante), mas o de Paulo Fiorilo (PT) e Mônica Seixas (PSOL), recheado de críticas à falta de resultados apresentados, o que é bastante raro na Alesp.

O texto de Fiorilo e Seixas foi elaborado como um voto em separado, com diversos pontos de ataque à inoperância da CPI, e após ter o apoio de outros três membros da comissão acabou convertido em relatório.

O relatório aprovado diz que a CPI pode ser considerada inconclusiva “quanto ao seu objetivo principal de investigar e denunciar quem foram os responsáveis pela produção, disseminação e financiamento das Fake News nas eleições de 2018”.

Sem ter conseguido apontar novas descobertas sobre a disseminação das fake news no Brasil, a CPI falhou até mesmo na tentativa de ouvir agentes relevantes que tiveram ou têm alguma relação com o fenômeno, como empresários acusados de financiar a produção e a distribuição de notícias falsas, funcionários dos chamados gabinetes do ódio, parlamentares, entre outros.

A CPI chegou a convidar Luciano Hang, Alexandre Frota (PSDB), Joice Hasselmann (PSL), Roberto Jefferson (PTB), Oswaldo Eustáquio, assessores dos deputados bolsonaristas Coronel Nishikawa (PSL) e Douglas Garcia (PTB), entre outros, mas não passou do convite e nunca chegou a ouvi-los.

Deputados membros da comissão queixam-se de suposta falta de empenho dos líderes da CPI em fazer com que ela avançasse, especialmente durante o período eleitoral. Outras CPIs, como a das quarteirizações, mantiveram seus trabalhos normalmente.

“Não conseguimos ouvir todas as pessoas que gostaríamos de ouvir”, lamenta Mônica Seixas. “Alguns dos requerimentos aprovados, como a convocação de alguns empresários e parlamentares, não foram efetivados pelo comando da CPI. O combate às notícias falsas requer um maior engajamento do poder público, das plataformas de mídias sociais e mensageria e do jornalismo profissional, em um trabalho de cooperação para a maior compreensão do fenômeno da informação instantânea”.

Deputados pediram que Márcio França (PSB), pai do presidente da CPI, Caio França (PSB), fosse ouvido, mas o pedido não chegou a ser votado, por exemplo.

Caio França diz que foram feitas 26 audiências “e ouvimos especialistas, todas as plataformas digitais e alguns empresários”. Sobre a suspensão dos trabalhos durante a eleição, afirma que foi uma decisão colegiada da CPI, aprovada por todos seus membros.

“Tínhamos deputados que eram candidatos a prefeito, então seria injusto dizer que somente eu estava envolvido com as eleições”, completa.

“Eu não faltei a uma reunião, pautei todos os requerimentos. No caso do ex governador João Doria (PSDB) e do ex-governador Márcio França (PSB), [os convites] tiveram pedido de vistas, e, assim como o ex-prefeito Luiz Marinho (PT), estavam diretamente envolvidos nas eleições e por isso não seriam ouvidos até o final delas”, afirma.

Janaina Paschoal (PSL), que faz parte da CPI, foi frequentemente um empecilho aos convites feitos aos funcionários dos deputados bolsonaristas. A atuação da deputada teve como um dos eixos o questionamento da própria ideia de fake news, afirmando que a prática de disseminá-las é supostamente atribuída só à direita, quando a esquerda faz o mesmo, segundo ela.

O relatório elaborado por Fiorilo e Seixas recebeu os votos dos dois, de Carla Morando (PSDB), Thiago Auricchio (PL) e Edmir Chedid (DEM). O relator Sargento Neri recebeu apenas o próprio voto e o de Janaina Paschoal. Arthur do Val (Patriota) não compareceu e Caio França não votou.

 

 

 

FÁBIO ZANINI VIA FOLHAPRESS