• Home
  • Política
  • Lula supera Doria como cabo eleitoral no 2º turno de São Paulo, aponta Datafolha

Lula supera Doria como cabo eleitoral no 2º turno de São Paulo, aponta Datafolha

Os principais padrinhos políticos em São Paulo são eficazes para afugentar o eleitorado da maior cidade do país. No segundo turno, contudo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é menos pior do que o governador João Doria (PSDB-SP) como apoiador.

O petista está com Guilherme Boulos (PSOL) e o tucano, com o prefeito Bruno Covas (PSDB). Segundo aferiu o Datafolha, ainda pior que eles como padrinho na cidade é o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que não tem candidato na disputa.

O instituto ouviu 1.260 eleitores nesta segunda (23), em pesquisa encomendada pela Folha de S.Paulo e registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o número SP-0985/2020. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança utilizado é de 95%.

O tema dos padrinhos permeia o pleito na cidade, que teve nesta pesquisa o prefeito Bruno Covas (PSDB) à frente com 55% dos votos válidos para o segundo turno, enquanto Guilherme Boulos (PSOL) reduziu sua distância do tucano e tem 45%.

O tucano era vice de Doria na chapa eleita à prefeitura em 2016, e assumiu quando o então chefe deixou o cargo para disputar e vencer o pleito estadual em 2018. Nesta campanha, Covas escondeu o quanto pôde o governador, ciente de sua alta rejeição na capital paulista.

Tem seus motivos: segundo o Datafolha, 61% dos eleitores da cidade não votariam num candidato apoiado por Doria, índice que repete a aferição feita no começo (21 e 22 de setembro) e no curso da campanha (5 e 6 de outubro).

Já apoiariam com certeza um candidato do governador 13%, ante 11% em outubro e 8% em setembro. Talvez votassem num nome do tucano 20%, uma queda ante 25% em outubro e 29%, em setembro.

Boulos tem insistido, na campanha, na associação de Doria a Covas, ainda que a relação entre governador e prefeito não seja exatamente harmônica. O tucano, por sua vez, aponta para o apoio de Lula a Boulos, tácito no primeiro turno e explícito agora.

O ex-presidente petista viu a rejeição a um nome apoiado por ele cair um pouco ao longo da campanha. Não votariam de forma alguma num indicado de Lula 57% em setembro, ante 54% em outubro e 52%, agora.

Na mão contrária, apoiariam um apadrinhado do petista 25% hoje, número que era de 20% em setembro e 21%, em outubro. Aqueles que talvez votassem foram de 21% para 23%, e agora está em 19%.

Bolsonaro, por sua vez, repete a alta rejeição já apontada pelo Datafolha na capital (50%) na sua condição de padrinho e se apresenta como o padrinho mais tóxico na cidade.

Ele teve um candidato no primeiro turno, o deputado Celso Russomanno (Republicanos), que começou a disputa como líder e acabou em quarto lugar, com 10,5% dos votos válidos.

Agora, 66% dos paulistanos não votariam num candidato do presidente na cidade -eram 63% em outubro e 64%, em setembro.

Apoiariam um nome 16%, mesmo índice de um mês e meio atrás e algo acima dos 11% registrados há dois meses.

Talvez votassem 13%, uma curva descendente (23% em setembro, 18% em outubro).

Neste segundo turno, Russomanno apoia Covas, o que levou Boulos a tentar colar nele a pecha de candidato bolsonarista. O prefeito é um vocal crítico do presidente, assim como Doria, principal rival do Planalto entre os governadores.

A tática de Covas de tentar desvincular-se do Palácio dos Bandeirantes pode estar dando certo, ao analisar um dado: 41% dos eleitores do tucano dizem que não votariam num candidato indicado por Doria.

Já esse eleitorado é mais refratário a Lula, com 71% de pessoas que não votariam de jeito nenhum num nome do petista, do que a Bolsonaro –50% dos entrevistados do grupo descartam apoiar um nome do presidente.

Entre os eleitores de Boulos, a associação com Lula parece menos danosa. Votariam desse grupo com certeza num nome do petista 42% de quem apoia o psolista, enquanto 30% dizem que talvez o fizessem e 23%, que nunca fariam.

Já a rejeição a Bolsonaro como padrinho (83% de “não votaria de forma alguma”) e a Doria (79%) segue o previsto para um representante da esquerda no segundo turno.

No geral, a rejeição candidatos de Lula ou Bolsonaro é maior entre os mais ricos (64%) do que aquela acerca de Doria (54%).

 

 

 

IGOR GIELOW VIA FOLHAPRESS