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Chef e dona de restaurante sustentável utiliza ingredientes 100% naturais Divulgação/Lis Cereja

Profissionais contam como combater o desperdício de alimentos

Chef de cozinha e ONG têm atuado no não-desperdício de comida e na entrega de alimentos e marmitas a pessoas em vulnerabilidade social

 

O não-desperdício de alimentos tem sido um assunto bastante discutido ao longo dos anos. Enquanto milhões de pessoas passam fome, uma quantidade imensa de alimentos ainda tem como destino o lixo. Porém, com uma maior conscientização, tanto de empresas, cozinheiros e ONGs, quanto dos indivíduos, no dia a dia, tudo pode ser diferente.

Lis Cereja, de 37 anos, é um exemplo. Nutricionista, chef e dona de um restaurante na capital paulista, acabou se frustrando com o curso de nutrição, que, na época, não enxergava os alimentos de uma forma científica e técnica, mas sim ligada apenas à saúde. Foi aí que a então moradora de São Paulo, com 25 anos, resolveu abrir seu próprio restaurante sustentável, a Enoteca Saint VinSaint.

Olhete grelhado na folha de bananeira, banana assada, caldo de folhas de banana

Reprodução/Instagram Enoteca Saint Vinsaint

A ideia era criar um local onde a chef pudesse servir vinhos naturais, locais, além de comida elaborada com produtos orgânicos de pequenos produtores. Hoje, anos depois, o objetivo de Lis foi alcançado: o restaurante possui uma carta de vinhos e bebidas 100% naturais, orgânicas e biodinâmicas e todo o alimento usado ali é produzido com ingredientes artesanais e orgânicos, livres de industrializados.

Atualmente, ela mora no interior, onde cultiva suas próprias hortas, que abastecem 60% do restaurante. Com o que o estabelecimento não consegue aproveitar ou reaproveitar, Lis elabora marmitas, entregues a moradores de ruas.

Beterrabas também são colhidas da própria horta

Reprodução/Instagram Enoteca Saint Vinsaint

Na visão da chef, “uma das premissas básicas, se resumirmos o conceito de um restaurante sustentável, é a inversão dos valores. A produção agrícola e a natureza devem comandar o chef e o menu, e não o contrário. Mais uma vez, sustentabilidade é um ato político, e mais ainda, social e agrário.”

Um ponto importante para o não-desperdício é focar na distribuição dos alimentos. Para isso, o trabalho de ONGs é fundamental, como o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP), a maior agência humanitária do mundo, com ação em 80 países.

A ONG faz acordos de operação com os governos e trabalha para levar alimentos a quem precisa, priorizando as pessoas que estão em situação vulnerável. Aqui no Brasil, a presença do organização se dá por meio do Centro de Excelência contra a Fome, com sede em Brasília.

ONG ajuda a distribuir alimento para todo o mundo

WFP/Morelia Erostegui

No momento, um dos trabalhos do WFP no Brasil envolve a distribuição de alimentos para alunos de escolas.

Para Úrsula Corona, no grupo desde 2019 e voluntária em projetos voltados à alimentação orgânica e agricultura local, “milhares de crianças brasileiras têm alimentação escolar como a principal, senão a única, refeição diária. E com as escolas públicas da educação básica fechadas por conta da pandemia, esses estudantes e seus familiares correm o risco de passar fome”, afirma ela.

A partir dessa realidade, o WFP começou a distribuir kits de proteção individual e de higiene entre os profissionais que continuam levando os alimentos para fora das salas de aula, até pontos específicos para entregá-los aos estudantes.

A ideia é ajudar crianças para que tenham sempre comida

WFP/Julissa Aguilar

Segundo Daniel Balaban, representante do Programa Mundial de Alimentos (WFP) no Brasil e Diretor do Centro de Excelência contra a Fome, “o principal foco aqui é ser um hub global de diálogo para formação de políticas públicas, aprendizagem, desenvolvimento de capacidades e assistência técnica para erradicar a fome. Atuamos também em parceria com diversas entidades públicas e privadas”, conta o economista.

“Os países vão precisar focar em políticas públicas para combater a situação da fome no mundo, que estão aumentando por conta da pandemia”, finaliza ele. Começar pelo não-desperdício de alimentos, nas casas e restaurantes, e a distribuição aos que mais precisam, já é algo que pode ajudar.

 

 

 

Por Ana Clara Arantes e Diego Prado, do R7