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© Antonio Augusto/Ascom/TSE Justiça

PF apontou ‘desempenho satisfatório’ ao sugerir ao TSE uso do atual sistema de divulgação dos votos

A mudança no sistema de apuração dos votos das eleições deste ano foi aconselhada pela Polícia Federal ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o argumento de que melhoraria “consideravelmente a segurança operacional”. A corporação também afirmou que, mesmo com a alteração, o sistema do tribunal teria o potencial de continuar com um “desempenho satisfatório”.

Os argumentos constam de relatório da Polícia Federal enviado ao TSE em outubro de 2018, ao qual o jornal Folha de S. Paulo teve acesso.

No documento, a polícia disse que seria melhor o tribunal concentrar a totalização dos dados das urnas eletrônicas em Brasília. Antes, a soma era feita nos datacenters dos 27 TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) e depois remetida ao TSE.

Nas eleições municipais de 2020, a mudança na totalização dos votos levou a atrasos na divulgação parcial dos votos em todo o país.

Em São Paulo, por exemplo, o resultado só foi conhecido por volta da meia-noite de domingo (15). Estão na disputa pelo comando da maior cidade do Brasil o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), e Guilherme Boulos (PSOL).

Até 2018, cada TRE fazia a recepção, verificação e soma dos votos. Cabia o TSE apenas proceder a leitura dos bancos de dados e a divulgação dos resultados. A corte, ainda na gestão da então presidente, ministra Rosa Weber, decidiu aceitar a recomendação da PF.

O método, no entanto, não havia sido testado em eleições anteriores.

“Mudar a arquitetura de servidores para estarem fisicamente localizados no próprio TSE melhora consideravelmente a segurança operacional deste sistema e tem o potencial de continuar com um desempenho satisfatório, em virtude dos crescentes avanços nas tecnologias de comunicação em rede”, disse a PF em um trecho do documento.

O relatório foi enviado pelo então diretor-geral da corporação, Rogério Galloro, ao tribunal na gestão Rosa Weber. O documento é assinado por três peritos.

A PF também argumentou que, “mesmo com o uso de melhores técnicas de codificação” de armazenamento de dados, o sistema que era usado pelo TSE teria vulnerabilidade, “ainda mais em um ambiente com base de dados distribuídas em cada TRE”.

“Com a migração dos servidores web e banco de dados locais dos TREs para o TSE esta exposição é minimizada”, disse.

Após receber a orientação, o TSE passou a fazer estudos sobre a mudança de sistema.

No sábado (14), o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino, chegou a dizer que, em 2020, o TSE “adotou uma importante mudança de paradigma” – a alteração no sistema de totalização.

Ele disse que, para tanto, foi constituída uma arquitetura de nuvem computacional, “tecnologia moderna que apresenta inúmeras vantagens”, como a economicidade – menos gastos.

“Conseguimos baixar bastante os custos, concentrando em um processo de nuvem, fazendo a virtualização de equipamentos”, afirmou.

O funcionário disse também que a mudança traria mais segurança. “Centralizando, há uma queda significativa no risco da vulnerabilidade”, disse.

No domingo (15), dia do pleito, o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, disse que uma falha no supercomputador responsável por esse sistema havia contribuído para o atraso na divulgação dos resultados.

Barroso afirmou ainda que não tinha “simpatia” pela mudança, mas que a decisão havia sido tomada pela gestão anterior.

Nesta segunda, o ministro disse que a PF apresentou argumentos importantes para a troca. Barroso afirmou que a demora na entrega de equipamentos por parte da empresa Oracle, em razão da pandemia da Covid-19, impediu a realização de testes prévios no sistema.

“A vida tem um componente de aleatoriedade que nem sempre é possível prever”, afirmou o ministro, quando questionado sobre se a situação já estaria normalizada a tempo para o segundo turno das eleições.

Barroso disse que os problemas serão sanados e que tem confiança na equipe que gerencia os sistemas de informação. Afirmou ainda ter “fé que não ocorrerá” novos problemas no segundo turno.

O ministro voltou a afirmar que um atraso de duas horas não configura uma situação de grande gravidade. De acordo com ele, o sistema é seguro e não houve comprometimento do resultado das eleições.

Barroso também relatou tentativas de ataques ao TSE, mas, segundo ele, as investidas dos hackers foram frustradas.

 

 

 

Constança Rezende via FolhaPress