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Educação financeira e o consumidor endividado

Por Jose Ribeiro da Silva*

 

Mas para falar em Educação Financeira é preciso aprender separar desejo de necessidade. Separar o que eu preciso do que eu quero.

Educação Financeira está mais ligada a comportamento do que números e agora querem proteger os consumidores superendividados através do projeto de lei 3515/2015, mas isso não vai resolver o problema. Será apenas um paliativo.

Recentemente a revista Consultor Jurídico publicou matéria referente às leis promulgadas na França e EUA para proteger seus consumidores superendividados.

Ocorre que naqueles países o endividamento das famílias era um problema de mercado e foi necessário a ação do Estado para regular as transações, blindando o consumidor contra a exploração excessiva do mercado financeiro.

No Brasil o problema ganha outros contornos.

O brasileiro sofre pela falta de Educação Financeira, independente da idade ou estrato social e a falta de habilidade para lidar com dinheiro é assustadora.

Somado as crenças limitantes sobre dinheiro, o consumismo exagerado impulsionado pelo marketing agressivo e um empurrãozinho governamental, nosso povo foi parar nesse abismo financeiro.

As famílias brasileiras estão endividadas como nunca estiveram, porque governos anteriores deram sua contribuição negativa, ao querer fomentar o consumo, incentivaram o CONSUMISMO.

Liberando por exemplo o financiamento de automóveis e motos em 72 meses e alongamento no crediário a perder de vista para outros bens duráveis de menor valor.

VAREJO: como reduzir o risco da inadimplência.

O professor Stephen Kanitz (https://blog.kanitz.com.br/compre-a-vista/) escreveu que se a tradição da igreja católica permitisse incorporar algumas modernidades poderíamos criar mandamentos que eliminariam imenso sofrimento humano, reduziriam inúmeros conflitos familiares modernos e devolveriam paz de espírito a muitos seres humanos.

Se pudéssemos, eu proporia um décimo primeiro mandamento: “Jamais comprarás a prazo”.

E para piorar o governo dizia vamos consumir e dava a entender que ser CONSUMISTA era chique. Curta hoje, pague depois tornou-se o novo lema do consumismo mundial, uma inversão da ética milenar de colocar o sacrifício antes do prazer. Deu no que deu.

Digo isso por experiência, atuando na área de crédito desde 1998.

Além da graduação em Administração e pós-graduação em Gestão de Custos, fiz MBA em Gestão de Crédito no Varejo em 2001 e desde então temos desenvolvido programas de gestão de crédito para empresas do setor terciário, bem como Cursos e Palestras sobre GESTÃO DE CRÉDITO.

O endividamento pessoal, o crediário sem fim e as compras a prazo deturpam a condição humana e o trabalho se torna uma obrigação, a de saldar as dívidas do consumo, em vez do contrário, pois o consumo deveria ser a recompensa merecida pelo trabalho.

Educação Financeira é um conjunto de princípios que podemos praticar no dia-a-dia, para maximizar o resultado das nossas finanças. Antes de pensar em ganhar mais precisamos saber lidar com o que já temos caso contrário, ganhar não vai fazer diferença.

Fazer planejamento financeiro doméstico, adequar nossos gastos de acordo com nossos rendimentos e viver de acordo com nossa renda.

Bernard Shaw (1856/1950) já dizia que a humanidade é movida mais pelos desejos que pelas necessidades e portanto precisamos aprender separar as duas coisas:

Necessidade é aquilo que eu preciso.

Desejo é aquilo que eu quero.

Precisamos separar também consumo de consumismo.

CONSUMO é uma situação normal através do qual satisfazemos nossas necessidades reais desde alimentos, vestuário, habitação, transporte, saúde, comunicação e educação.

Podemos dizer que que consumo é a recompensa pelo trabalho.

CONSUMISMO é o ato de comprar de forma exagerada ou aquilo que não precisamos. Quando o consumo extrapola o razoável: comprar por impulso, porque está na moda, porque é moderno, é sofisticado, é bonito, é lançamento, promoção ou pior ainda porque os outros estão comprando.

Consumismo é fazer extravagâncias como por exemplo pessoas de baixa renda comprando celular de R$ 3 mil, ovos de chocolate de R$ 150 ou jovens que ainda não tem renda comprando tênis top de linha, de R$ 1.300 na conta dos pais.

Quando consumimos antes para pagar depois trabalhar é um fardo, pois o prazer veio antes.

Temos que começar em casa, porque consumo responsável não significa sacrificar nossas necessidades.

Os casais devem conversar sempre sobre as finanças da casa e se tiver filhos tragam eles para conversar juntos. Cada um precisa saber qual é a renda disponível da família e quanto dispomos para gastar e no que devemos focar nossos gastos.

Todos devem contribuir para equilíbrio das finanças, respeitando as prioridades de cada um.

Discutir o que devemos evitar e como economizar sem estrangulamento.

Mas, acima de tudo o que precisamos é EDUCAÇÃO FINANCEIRA nas escolas.

Essa disciplina precisa fazer parte da rotina escolar desde a primeira série do ensino fundamental e estender até o ensino superior.

Nossas crianças, adolescentes e jovens precisam ter conhecimento básico de como se deve lidar com dinheiro, para não ter que ficar apanhando da vida depois de adulto.

* José Ribeiro da Silva é Consultor e Palestrante há 24 anos.
Graduado em Administração pela PUC-PR, com pós-graduação em Gestão de Custos e MBA em Gestão Tributária
Contatos itde1@uol.com.br