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Público lotou as ruas de Londres com cartazes em punho Foto: HENRY NICHOLLS / REUTERS

Londres, Frankfurt, Sydney e Tóquio: protestos pela morte de George Floyd avançam pelo mundo neste sábado

Em Paris, manifestações diante da embaixada americana foram proibidas

 

MELBOURNE / TÓQUIO – Multidões de pessoas vêm tomando as ruas de cidades do mundo inteiro neste sábado, em países como Inglaterra, Alemanha, Austrália, Japão e Coreia do Sul, em apoio aos protestos dos EUA contra a brutalidade policial.

As manifestações refletem a crescente indignação diante da maneira como forças policiais abordam minorias étnicas nos EUA e em outros países, desencadeada pelo assassinato de George Floyd em Minneapolis, em 25 de maio. Na ocasião, um policial que deteve o segurança desempregado ajoelhou-se sobre o pescoço dele por quase nove minutos, enquanto outros policiais aguardavam.

Mesmo na Inglaterra, onde há atualmente uma das restrições mais rígidas do Reino Unido a aglomerações, em função da pandemia do novo coronavírus, uma multidão foi às ruas. No centro de Londres, a polícia teve que fechar as ruas em torno da Praça do Parlamento, enquanto os manifestantes desafiavam o apelo do secretário de Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, para que o público evitasse grandes concentrações de pessoas, além de manter as regras de distanciamento social.

Multidão de manifestantes tomou as ruas de Sidney Foto: SAEED KHAN / AFP
Multidão de manifestantes tomou as ruas de Sidney Foto: SAEED KHAN / AFP

Em Berlim, manifestantes lotaram a Alexanderplatz. Também houve atos em Hamburgo e Varsóvia. Em Paris, autoridades proibiram protestos em frente à embaixada dos EUA e no gramado da Torre Eiffel. Centenas de pessoas lotaram a Praça da Concórdia, algumas com placas do movimento “Black Lives Matter”. A polícia instalou barreiras para impedir o acesso do público à representação norte-americana, que fica próxima ao local.

Em Brisbane, na Austrália, a polícia estimou que 10 mil pessoas participaram de um protesto pacífico, usando máscaras e segurando cartazes com a frase “black lives matter” (vidas negras importam). Muitos se envolveram em bandeiras indígenas, pedindo o fim dos maus-tratos policiais aos australianos nativos.

Multidão nas ruas de Melbourne, na Austrália Foto: CON CHRONIS / AFP
Multidão nas ruas de Melbourne, na Austrália Foto: CON CHRONIS / AFP

Em Sydney, uma decisão judicial de última hora derrubou outra que impedia manifestações por causa do coronavírus, e milhares de pessoas promoveram uma passeata sob olhares da força policial. Comícios também foram realizados em Melbourne, Adelaide e outras cidades australianas.

Em Tóquio, manifestantes protestaram contra o que eles disseram ser o tratamento policial dado a um homem curdo, que foi parado enquanto dirigia e jogado no chão, ficando com hematomas. Além disso, os organizadores invocaram os protestos dos EUA, dizendo que também marchavam em apoio ao movimento Black Lives Matter.

— Quero mostrar que há racismo no Japão agora — disse Wakaba, estudante de 17 anos, que se recusou a dar o nome de sua família.

Manifestamtes marcham em Tóquio, usando máscaras Foto: ISSEI KATO / REUTERS
Manifestamtes marcham em Tóquio, usando máscaras Foto: ISSEI KATO / REUTERS

Ela e sua amiga, Moe, usavam uniformes escolares e seguravam um cartaz dizendo: “Se você não está com raiva, não está prestando atenção”.

Em Seul, dezenas de ativistas sul-coreanos e residentes estrangeiros se reuniram, alguns usando máscaras negras com a frase “não consigo respirar”, ecoando as palavras finais de George Floyd, quando estava sendo sufocado pelo policial.

— A Coréia do Sul está se tornando uma sociedade multicultural — disse o organizador Shim Ji-hoon. — Então propus que essa marcha tenha consciência da discriminação racial e crie um mundo de convivência.

Com restrições em função da pandemia em Bangcoc, os ativistas locais fizeram mobilizações pela internet, pedindo às pessoas que postassem vídeos e fotos de pessoas vestidas de preto, levantando os punhos e segurando cartazes,  explicando por que eles permaneciam unidos pelo movimento Black Lives Matter.

Já os manifestantes tailandeses planejam se reunir na plataforma de videoconferência Zoom no domingo e fazer 8 minutos e 46 segundos de silêncio — o período em que George Floyd foi filmado preso sob o joelho do policial.

Protesto com distanciamento por causa do coronavírus em Seul Foto: HEO RAN / REUTERS
Protesto com distanciamento por causa do coronavírus em Seul Foto: HEO RAN / REUTERS

Em toda a Europa, que viu uma onda sem precedentes de manifestações antirracistas atraindo dezenas de milhares nas ruas, protestos de fim de semana foram planejados na Alemanha, Grã-Bretanha, França, Espanha, Holanda, Bélgica e Hungria.

Alguns manifestantes europeus usam máscaras e mantêm distância social, mas em alguns lugares — principalmente na Alemanha na sexta-feira — milhares marcharam juntos.

Cartazes e slogans se concentraram não apenas em George Floyd, mas em uma série de outras controvérsias em países específicos e maus-tratos a minorias em geral.

Por Agências Internacionais/O Globo