Foto: ANDRÉ NERY/MEC

A Educação Brasileira tem jeito?

Por Bolanger José de Ameida*

A EDUCAÇÃO BRASILEIRA precisa ser tratada com o maior carinho e competência do mundo, especialmente a de Mato Grosso que nas avaliações de dois em dois anos pelo INEP do Ministério da Educação através de prova do SAEB não tem tido bom comportamento, ou seja, poucas cidades do Estado têm atingido as notas mínimas estabelecidas nesta avaliação.

Para o eleitor ter uma compreensão, a responsabilidade pela educação básica em Mato Grosso, os municípios ficam com a Educação Infantil (creches) e as que denominamos séries iniciais da primeira à quinta série e o estado com as séries finais da sexta à nona e mais, segundo grau e o ensino profissionalizante.

Vejam que se forma uma cadeia, onde o município cuida de uma parte e o estado da outra, é preciso muito sincronismo para essa engrenagem funcionar. Entendemos que a responsabilidade do município, em especial, é muito grande, cabe a ele fazer a iniciação dessa criança que precisará de muita atenção, é aí que ele aprende a ler e iniciar na matemática, ensinar a ter disciplina, moral, civismo, honradez, enfim dar os primeiros passos para ter uma vida acadêmica de qualidade e seu processo de educação que ele levará para o resto da vida.

Por outro lado, sabemos que a escola tem que envolver os pais nesse processo de educação e, salvo melhor juízo, o estado (União, Estados e Municípios) estão devidamente aparelhados para exercer com eficiência esse trabalho. A União e Estado paga a Bolsa Família a Pró Família, tem tanto um quanto outro uma Secretaria de Desenvolvimento Social onde estão os CRAS e CREAS que tem a missão de verificar e acompanhar a violência aos menos protegidos. Dentro desses organismos tem Conselheiros Tutelares Eleitos e equipes técnicas equipadas com Psicólogos, Assistentes Sociais e outros profissionais. Por que não unir forças e verificar porque aquela criança que não consegue acompanhar? Qual (is) seu (us) problema (s). Por que não colocar, na série que cuida da alfabetização mais de um profissional, e passar para frente alunos com igualdade de conhecimento e, se for o caso nas “séries iniciais”   ter uma equipe multidisciplinar para cuidar dessa criança que se fizer um trabalho de alta qualidade, quando chegar nas “séries finais” ter um talento pronto para continuar seus estudos e reduzir a evasão.

Quanto isso custará aos cofres públicos? Não será menos que a evasão e essa criança não ter futuro? Até quando figuraremos nas estatísticas da avaliação pela OCDE – ORGANIZAÇÃO PARA COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO na avaliação do PISA em que ficamos entre 56º e 60º em leitura, entre 66º e 68º em ciências e 72º e 74º em matemática, sendo que na média ficamos 60º. A variação existe por conta da margem de erro adotada pela pesquisa. Isso porque foram avaliados 76 países e ficamos atrás de países como Chile, Uruguai, Costa Rica e México e à frente da Argentina, Perú, Panamá e República Dominicana.

A evasão escolar que é provocada por alunos que não conseguem acompanhar as séries que estão matriculados e por terem que trabalhar para ajudar os pais. Por isso somos enfáticos em cobrar as prefeituras que devem ter um cuidado muito carinhoso e especial com essa criança de 5, 6 e 7 anos que dá seus primeiros passos em um processo de aprendizagem. Essa criança tem que ir para a frente com uma leitura consolidada e saber interpretar um pequeno texo, bem como com auxílio da família e/ou do poder público na formação de seu caráter e ter compromisso com seu país. Vou repetir o que está na publicação do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais ‘Anísio Teixeira’ – Ministério da Educação – MEC) de Reinaldo Teixeira: Um sistema educacional que reprova sistematicamente seus estudantes, fazendo com que grande parte deles abandone a escola antes de completar a educação básica, não é desejável, mesmo que aqueles que concluem essa etapa de ensino atinjam elevadas pontuações nos exames padronizados. Por outro lado, um sistema em que todos os alunos concluem o ensino médio no período correto não é de interesse caso os alunos aprendam muito pouco na escola. Em suma, um sistema de ensino ideal seria aquele em que todas as crianças e adolescentes tivessem acesso à escola, não desperdiçassem tempo com repetências, não abandonassem a escola precocemente e, ao final de tudo, aprendessem.”

A avaliação do IDEB publicada de dois em dois anos (2017 e 2019) deve estar saindo, entretanto, a meta projetada para 2021 é de que a nota chegue 6,0, o que é uma meta perfeitamente exequível.

Para concluir o ponto basilar da educação é o professor, que tem que estar feliz em fazer seu serviço, com bom ambiente no trabalho, boa remuneração, um entrosamento perfeito entre as chefias e seus liderados, ser criativo e ter à sua disposição instrumentos que possam despertar nos discentes a vontade de participar e aprender. Outro ponto que destacamos como importante, notadamente na Educação infantil e nas “séries iniciais” é que o profissional de ensino (pedagogo) seja contratado em tempo integral, (hoje ele é contratado por 20 horas semanais e ele acaba tendo dois empregos) remuneração dobra e ele não precisa ficar “viajando” o tempo todo para ganhar seu sustento. Sim a educação brasileira tem jeito se começarmos agora as mudanças que tem que ser feitas, daqui a alguns anos teremos outro país com sua população educada, cuidando das questões morais, ambientais e pronta para enfrentar esse futuro tão incerto e que muda a cada minuto ou é melhor continuar perdendo nossas crianças para o crime?

 

* BOLANGER JOSÉ DE ALMEIDA é Contador, Auditor Independente, Perito Contábil, Professor Universitário, foi Pró-Reitor e Diretor de Faculdade da UFMT, Foi Secretário três vezes da Prefeitura de Cuiabá e Várzea Grande, Subsecretário de Fazenda e de Planejamento do Estado e Secretário de Fazenda de Rosário Oeste. – Foto Tchélo Figueiredo