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Cachoeiras com águas cristalinas são atrativo de região quilombola na Chapada dos Veadeiro

Quilombola na Chapada dos Veadeiros é opção de lazer e conhecimento histórico

Região abriga o maior quilombo do país e conta com desfiladeiros e cachoeiras com destaque para Cachoeira Santa Bárbara, que possui queda de 28 metros na cor azul turquesa

 

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros fica no estado de Goiás, no centro do Brasil e é conhecido pelos deslumbrantes desfiladeiros e cachoeiras com águas cristalinas. O que muita gente não sabe é que o lugar oportuniza conhecer um território quilombola que tem atraído cada vez mais turista para a região. Trata-se do Engenho II que é uma área do município de Cavalcante, distante quatro horas de carro de Brasília, pela BR-010. A comunidade faz parte do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, o maior quilombo do país.

Do centro de Cavalcante, o turista percorre mais uma hora para chegar ao Centro de Atendimento ao Turista (CAT) do Engenho II. Ao chegar, o destaque é a cachoeira Santa Bárbara com uma queda de 28 metros e cor azul turquesa. A cor da água é resultado da formação de calcário do fundo da cachoeira, beleza que chama atenção. A melhor hora para ter uma visão privilegiada é entre 10h e 13h, quando a luz do sol incide na água, revelando todas as cores da cachoeira.

Segundo o guia ambiental Geovan dos Santos Moreira, as trilhas do roteiro das cachoeiras foram planejadas pelos kalungas para não causar estragos à natureza, sendo que na caminhada até a Santa Bárbara, o trajeto mais curto seria seguir em linha reta, mas um trecho do percurso é feito em zigue-zague, para evitar a erosão do solo.

A região também conta com outras belas cachoeiras como Candaru e Capivara, e para quem deseja conhecer o lugar, deve pagar pelo ingresso e também contratar um guia cadastrado. “O caminho é planejado para a preservação do Cerrado, das pessoas que aqui vivem”, diz.

O dinheiro arrecadado com os ingressos das cachoeiras é direcionado para as associações kalungas da região. O recurso é usado para a manutenção e melhoria da infraestrutura local. Com o dinheiro do turismo, o Engenho II conseguiu ter água encanada e até Wi-Fi em alguns pontos – serviços básicos que ainda não chegaram em outras comunidades quilombolas da região, como o Vão de Almas e o Vão do Moleque.

Roteiros e passeios ‘aquilombados’

A turismóloga Rosiene Francisco dos Santos defendeu sua tese no mestrado da Universidade de Brasília (UNB) sobre os limites e possibilidades da exploração do turismo na região dos kalungas. No meio da pesquisa ela criou o termo “turismo aquilombado” que é um projeto que objetiva apresentar aos turistas roteiros e passeios que incluam os conhecimentos da comunidade local.

A pesquisadora Rosiene acredita que com as visitas à comunidade e conhecendo a cultura desse povo, memória kalunga não se perderia em meio às fotos tiradas pelos turistas. “Quando falam desta área da Chapada dos Veadeiros, às vezes o quilombo é apagado, é silenciado”.

Segundo ela, existe um estudo para a criação de um centro de memória kalunga no CAT engenho II, enquanto isso, uma das maneiras de conhecer a história local é contratando um profissional kalunga para contribuir com a economia local da comunidade, além de ter todas as informações do território vindas de quem vive na região.

SERVIÇO

Ingressos pela internet: http://quilombokalunga.ecobooking.com.br
Dias do ano que os atrativos são fechados por causa dos festejos tradicionais:
Janeiro: 6 e 7 (Folia de Reis); 17 a 21 (São Sebastião)
Julho: 9 a 14 (Santo Antônio)
Setembro: 1 a 6 (Nossa Senhora das Neves)

Da Redação do Daynews, com G1