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Canadá vai às urnas com futuro de Justin Trudeau incerto

Os canadenses vão às urnas nesta segunda-feira, 21, em uma eleição geral que definirá a composição da Câmara dos Comuns e o novo primeiro-ministro. Após 40 dias de confrontos, controvérsias e promessas eleitorais, os dois grandes candidatos terminaram a campanha como começaram: empatados nas intenções de votos, o que eleva o suspense no dia da eleição.

O atual premiê Justin Trudeau e seu rival conservador Andrew Scheer queimaram neste domingo 20 os últimos cartuchos para convencer os muitos eleitores indecisos e evitar um governo minoritário no Canadá, como preveem as pesquisas.

“Precisamos de um governo progressista forte que una os canadenses e lute contra as mudanças climáticas, não uma oposição progressista”, disse Trudeau, do Partido Liberal, durante um comício na periferia de Vancouver.

Liberais e conservadores têm entre 31% e 32% das intenções de voto, de acordo com as últimas pesquisas, o que não lhes permitiria alcançar uma maioria absoluta na Câmara dos Comuns de 338 cadeiras.

Um governo minoritário seria obrigado a receber apoio oportuno de formações menores, como o partido dos Novos Democratas (NPD) de Jagmeet Singh, terceiro nas pesquisas (20%), ou os separatistas do Bloco de Quebec.

Coincidência ou não, os líderes de quatro dos cinco principais partidos terminaram todas as suas campanhas neste domingo na província da Colúmbia Britânica, onde fica Vancouver: Trudeau e Scheer, Singh e a líder dos verdes Elizabeth May participam de seus últimos comícios nesta região, onde os verdes e neo-democratas ameaçam os liberais.

“Trudeau mostrou claramente que está disposto a tudo para ficar no poder”, afirmou Scheer no sábado 19 em Toronto. O conservador acusa os liberais e o NPD de buscarem uma coalizão governamental que, segundo ele, aumentaria o déficit dos programas sociais defendidos pelo NPD.

Em Vancouver, Scheer novamente acusou Trudeau de se apegar ao poder por meio de uma coalizão com o NPD, algo que tanto esse partido quanto os liberais negam.

“A alternativa é clara: ou um governo do NPD com a máscara de Trudeau, que aumentará impostos, destruirá empregos, enfraquecerá nossa economia e retirará mais dinheiro de você, ou um governo conservador de maioria que não gastará mais do que recebe e que injetará dinheiro no seu bolso”, disse aos apoiadores em um comício.

No sistema parlamentar canadense é possível que um primeiro-ministro em fim de mandato permaneça no governo, mesmo que ele não obtenha a maioria dos votos, desde que obtenha o apoio de um ou mais partidos para que a Câmara vote a seu favor.

Outro importante campo de batalha está em Quebec, província de língua francesa que distribui 78 cadeiras no parlamento federal e onde os independentes do Bloco Quebequense lideram as pesquisas ao lado do Partido Liberal.

Ives-François Blanchet, chefe deste partido que apresenta candidatos apenas de Quebec, explicitou sua rejeição a uma aliança com os conservadores.

Posição incômoda

Há alguns dias, os dois principais candidatos viajam pelo país com um objetivo comum: convidar os canadenses a dar-lhes uma maioria parlamentar para evitar a formação de um governo minoritário.

Trudeau reitera insistentemente seu pedido ao eleitorado para “olhar para frente” e afirma que um retorno dos conservadores ao poder após quatro anos de gestão liberal resultará em cortes no orçamento e um enfraquecimento na luta contra as mudanças climáticas.

“Sabemos que a primeira coisa que Andrew Scheer fará (se eleito) será eliminar o único plano no Canadá para combater as mudanças climáticas”, disse Trudeau em Ontário no sábado. Scheer prometeu suprimir a taxa de carbono instituída pelo primeiro-ministro liberal se assumir o governo.

Na perspectiva de um governo minoritário, os liberais estariam em uma posição melhor que os conservadores, tendo mais afinidade com o NPD do que seus rivais. O líder do NPD já disse que exclui qualquer tipo de aliança com Scheer.

Scheer, que não poupou críticas ao atual chefe de governo, muitas vezes tratando-o como um “mentiroso” e “hipócrita”, se viu numa posição embaraçosa neste fim de semana.

Atingido no sábado por informações da imprensa sobre o envolvimento de seu partido no financiamento de uma campanha de difamação contra um pequeno partido rival, Scheer se recusou várias vezesa  confirmar ou negar a notícia, o que lhe rendeu críticas por sua falta de transparência.

Anteriormente, já havia passado por momentos difíceis ao defender o fim do direito ao aborto e após ser questionado sobre dupla cidadania canadense e americana.

Trudeau, já enfraquecido por acusações de ingerência política em um caso judicial, se viu também em dificuldades semanas atrás quando foram divulgadas imagens de quando era jovem com o rosto pintado de preto. O primeiro-ministro teve que ir a público para pedir desculpas por esses atos “inaceitáveis”.

COM INFORMAÇÕES/