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Análise biomolecular dos esqueletos revelou distância física e temporal entre os indivíduos mortos no lago (Reprodução/Divulgação)

Cientistas procuram desvendar o mistério do Lago dos Esqueletos

Todo ano, o degelo de um lago indiano revela inúmeros cadáveres. Novo estudo buscou investigar suas origens

Entre as enormes montanhas da cadeia do Himalaia, na Ásia, está um lago de mais de 40 metros de largura chamado Roopkund. No entanto, quem o conhece prefere chamá-lo por outro nome: o Lago dos Esqueletos.

A mais de cinco quilômetros de altitude, o corpo d’água indiano, vítima do inóspito frio da região, passa a maior parte do ano congelado. Quando chega o verão e o gelo é derretido, a vista espetacular dá lugar a uma assombração: centenas de esqueletos humanos — alguns ainda com pedaços de carne presos aos ossos — emergem do lago.

Já faz décadas que os cientistas conhecem o Roopkund e especulam sobre a origem dos cadáveres. Um novo estudo, publicado no periódico científico Nature Communcations no último dia 20, propôs uma análise genética de 38 desses corpos. O objetivo era elucidar o que teria levado à morte de tantas pessoas. Será que apenas um único acontecimento seria capaz de causar toda aquela destruição?

Provavelmente não. Com base no estudo do DNA dos esqueletos, os pesquisadores descobriram que os mesmos eram provenientes de diferentes eventos ao longo de pelo menos um milênio. Embora a natureza específica dessas ocorrências seja difícil de se conhecer, acredita-se que deslizamentos de gelo no local tenham sido responsáveis por grande parte das mortes.

A análise genética revelou ainda que, dos 38 corpos examinados, 23 eram originários da porção sul da Ásia e teriam sido depositados no Roopkund entre os séculos VII e X, em ocasiões distintas. Outra parte dos esqueletos era mil anos mais recentes.

Outro ponto chamou atenção. Enquanto algumas das vítimas tinham vindo do sul asiático, outras seriam, por sua vez, originárias do Mediterrâneo e do leste da Ásia. Além disso, os indivíduos retirados do Lago dos Esqueletos possuíam, de acordo com as informações obtidas a partir do DNA, dietas muito distintas entre si. Por que, então, pessoas de hábitos e terras tão diferentes teriam rumado ao mesmo lugar, o qual viria a se tornar o cemitério de todas?

É difícil precisar, mas os cientistas têm algumas teorias. Uma opção é de que a região do lago Roopkund tivesse algum valor religioso para povos asiáticos, o que teria levado muitos indivíduos a peregrinar até lá, falecendo por causa das inóspitas condições físicas do Himalaia. Outra alternativa é a de que os corpos tenham sido levados para o lago para serem lá enterrados.

Por Sabrina Brito, da Veja