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O ministro da Economia, Paulo Guedes - Marcello Casal jr/Agência Brasil

Guedes diz que se aposenta e deixa o país caso reforma não seja aprovada

O ministro Paulo Guedes, da Economia, voltou a ameaçar renunciar ao cargo caso a reforma da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro sofra alterações radicais no Congresso Nacional. O texto ainda é debatido na Câmara, onde congressistas estudam até um projeto próprio.
“Pego um avião e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar”, disse o ministro à revista Veja. Guedes afirmou que uma “reforminha”, como ele chamou uma proposta muito diferente da originada no governo, levaria a economia do país a um estado de caos já no próximo ano.
“Se não fizermos a reforma, o Brasil pega fogo. A velha Previdência quebrou. Não vamos ter nem dinheiro para pagar aos funcionários. Vai ser o caos no setor público, tanto no governo federal como nos estados e municípios”, disse à revista.
Em março, Guedes deu declaração em tom semelhante, durante audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado.
“Eu venho para ajudar. Se o presidente não quer, se o Congresso não quer… vocês acham que vou brigar para ficar aqui? Estou aqui para servi-los”, respondeu na ocasião ao ser questionado se ficaria no governo caso a reforma da Previdência não fosse aprovada.
“Agora, se ninguém quiser o serviço, vai ser um prazer ter tentado, não tenho apego ao cargo, como também não tenho inconsequência e a irresponsabilidade de sair na primeira derrota, desistir”, disse à comissão.
Ainda nesta sexta-feira (24), pouco após a entrevista do ministro à Veja vir a público, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou em apoio a Guedes.
“É um direito dele, ninguém é obrigado a continuar como ministro meu. Logicamente, ele está vendo uma catástrofe, é verdade, eu concordo com ele [Guedes], se nós não aprovarmos algo realmente muito próximo ao que enviamos no Parlamento. O que Paulo Guedes vê, e ele não é nenhum vidente, nem precisa ser, para entender que o Brasil vai viver um caos econômico sem essa reforma”, disse, em Recife (PE), em sua primeira visita ao Nordeste como presidente da República.

Com ou sem o Guedes, vai ter reforma da Previdência, diz presidente da comissão especial

O presidente da comissão especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PR-AM), disse que, com ou sem o ministro Paulo Guedes (Economia) no governo, a proposta para endurecer as regras de aposentadorias vai ser aprovada.
Em entrevista à revista Veja, Guedes declarou que irá renunciar ao cargo se o projeto pretendido pelo governo virar uma “reforminha”.
Ramos e o relator da proposta, Samuel Moreira (PSDB-SP), avaliam que a declaração do ministro não tem efeito sobre o Congresso.
“A Câmara tem compromisso com a reforma independente desse discurso [de Guedes] que beira a chantagem. Ele é importante, mas, com ele ou sem ele, vai ter reforma”, disse o presidente da comissão.
Os dois deputados acreditam que a afirmação do ministro seja um recado para o próprio governo.
“Eu acho que é uma conversa dele [Guedes] com o governo. Para nós, não altera nada. Ele não é funcionário da Câmara. Na Câmara, vamos cumprir nossa responsabilidade. O nosso presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está empenhado. Nós vamos fazer a reforma”, comentou Moreira.
Para ele, a ameaça do ministro em deixar o cargo não influenciará deputados a votarem pela reforma da Previdência.
O relator reforçou que trabalha para que a versão a ser aprovada pelo Congresso represente uma economia de R$ 1 trilhão em dez anos.
Na proposta de reforma da Previdência, Guedes e o presidente Jair Bolsonaro querem criar critérios mais rígidos para aposentadorias e, com isso, tentar controlar o crescimento desse tipo de despesa, o que vem pressionando as contas públicas e reduzindo os investimentos.
O texto encaminhado por Bolsonaro prevê uma economia de R$ 1,2 trilhão em dez anos. Guedes tem como meta um corte de R$ 1 trilhão nos gastos, mas concordaria com uma reforma de R$ 800 bilhões.
Mesmo deputados que são contrários às mudanças nas aposentadorias, como Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-SP), apostam que a Câmara irá aprovar a reforma da Previdência, porém com algumas alterações.
“Eu acho que nós não temos força de derrotar a reforma. Eu acho, então, que temos que reformar a reforma”.
O Solidariedade defende reduzir a idade mínima proposta por Bolsonaro, mudar as regras de transição, poupar professores e trabalhadores rurais, não mexer na forma de pagamento do BPC (benefício a idosos carentes) e que o Congresso não crie novas regras para servidores estaduais e municipais.
Com isso, o deputado, que é o presidente do partido, calcula que a reforma teria um impacto de R$ 600 bilhões -abaixo o piso de economia de Guedes.
O presidente da comissão especial, porém, não acredita que a Câmara aprovará uma reforma desidratada.
Ramos, na semana passada, afirmou que alguns líderes preparavam um texto alternativo à proposta de reforma da Previdência, mas, depois, recuou e esclareceu que se referia a emendas à versão de Bolsonaro.
Para o deputado, a economia com a reforma estará alinhada ao que deseja o ministro Guedes.

 

 

Com informações de Thiago Resende e Thaís Arbex/Folhapress