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Deputados reunidos no plenário da Câmara durante a sessão desta terça (26) para votar a PEC que trata dos investimentos do governo — Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Câmara aprova PEC que obriga governo a executar todos os investimentos do Orçamento

PEC foi aprovada em primeiro turno por 448 votos a 3 e, em segundo turno, por 453 votos a 6; texto segue para o Senado. Atualmente, somente o repasse de emendas é obrigatório.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (26) a proposta de emenda à Constituição (PEC) que obriga o governo federal a executar todos os investimentos previstos no Orçamento.

Para ser aprovada, a PEC foi analisada em dois turnos. No primeiro turno, 448 deputados votaram a favor, e 3, contra. No segundo turno, o placar foi 453 votos a favor, e 6, contra. Com a aprovação, o texto segue para o Senado.

A votação do projeto foi sugerida mais cedo, nesta terça, durante a reunião dos líderes partidários da Câmara.

O objetivo do governo, contudo, era aprovar no Senado a chamadaPEC do pacto federativo, que prevê justamente o contrário.

O governo tem defendido o que chama de “descentralização da arrecadação”, o que pode desobrigar estados, municípios e União de fazerem investimentos mínimos em determinadas áreas.

Orçamento

Atualmente, o pagamento é obrigatório somente em parte das emendas individuais dos congressistas, as chamadas “emendas impositivas”.

Todo ano, deputados e senadores podem destinar recursos federais para obras e ações indicadas por eles no Orçamento.

Pelo texto da PEC, além das emendas coletivas (feitas por bancadas estaduais e das comissões), toda a parte de investimentos do Orçamento terá de ser executada.

Na prática, a proposta pode engessar o governo federal, que não terá espaço para remanejar despesas e terá que cumprir todo o Orçamento aprovado pelo Congresso.

Apresentada em 2015, a PEC já tinha parecer aprovado em uma comissão especial e estava pronta para ser analisada pelo plenário.

Maia nega retaliação

Mais cedo, nesta terça, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a articulação dos deputados para aprovar a PEC não representa retaliação ao Palácio do Planalto.

Nos últimos dias, Maia e o presidente Jair Bolsonaro se envolveram em uma polêmica ao manifestar publicamente divergências sobre a quem cabe a articulação para aprovar a reforma da Previdência.

Enquanto Bolsonaro diz que a responsabilidade é do Congresso, Maia afirma que o governo não pode “terceirizar” a articulação política.

“A PEC é uma vontade de todos os líderes, inclusive o [líder] do PSL [partido de Bolsonaro] não ficou contra, restabelecendo prerrogativas do Parlamento. Não tem retaliação contra ninguém”, declarou Rodrigo Maia nesta terça-feira.

Relação entre os poderes

Para o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o governo precisa melhorar a relação com o Congresso.

Após se reunir com líderes partidários na Câmara, o principal responsável pela articulação política do Palácio do Planalto afirmou que o momento exige “conversa franca, olho no olho”.

“Nós do governo precisamos melhorar no nosso relacionamento com a Câmara e com o Senado. Seguramente, os parlamentares compreendem que precisam se esforçar para melhorar”, disse o ministro.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, porém, avalia que o problema é de comunicação entre o governo e o Congresso.

Por Fernanda Vivas/TV Globo