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O ex-presidente Michel Temer chega a sede da Polícia Federal do Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira (21). (Foto: Luciana Bello Vermelho/Zimel Press/Folhapress)

Temer se cala na PF e será denunciado por corrupção, lavagem de dinheiro e peculato

O ex-presidente Michel Temer (MDB-SP) silenciou em seu depoimento na Superintendência da Polícia Federal no Rio, onde está detido desde quinta-feira (21) e onde espera ficar até pelo menos quarta-feira (27) da semana que vem, quando o Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região julgará os pedidos de habeas corpus feitos por sua defesa e também as de seu ex-ministro Wellington Moreira Franco e de seu amigo João Baptista Lima Filho, o coronel Lima.
Seus advogados tentavam evitar que Temer, preso de forma preventiva (sem julgamento e por prazo indeterminado) após mandado expedido pelo juiz Marcelo Bretas, depusesse. A defesa informou que ele não falaria, e na sala em que está detido o emedebista permaneceu.
Quem falou foi Moreira Franco, para negar os crimes a ele imputados pela Operação Lava Jato. Segundo a procuradora Fabiana Schneider, “ele negou ter pedido de propina, prestou esclarecimentos e deu a sua versão dos fatos. Chegou a reconhecer que Temer disse que Lima cuidava da Argeplan em mais de uma ocasião”.
O Ministério Público liga o grupo de Michel Temer a desvios de até R$ 1,8 bilhão, numa operação que teve como foco um contrato firmado entre a Eletronuclear e as empresas Argeplan (do coronel Lima), AF Consult e Engevix.
Temer, Moreira Franco e o coronel Lima serão denunciados na semana que vem por corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, de acordo com a Procuradoria. O ex-presidente responderá como chefe da suposta organização criminosa.
Temer é o único preso na sede carioca da PF, numa sala com três ambientes, incluindo banheiro privativo -os outros dois estão no BEP (Batalhão Especial Prisional) em Niterói, onde têm como companheiro de cárcere o ex-governador Luiz Fernando Pezão.
O cômodo de Temer, que já funcionou como escritório do corregedor da PF, foi totalmente lacrado para receber o ex-chefe de Estado que virou prisioneiro. As janelas foram cobertas com película negra, de modo que não é possível ver o que se passa dentro do aposento. Elas também foram vedadas com chumbo derretido, para impedir eventual fuga.
Temer recebeu duas visitas: a de seu ex-ministro Carlos Marun, um dos fiéis escudeiros de seu governo, e a do advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, que já o defendeu no passado, mas diz ter ido à PF nesta sexta na condição “de amigo, para dar um abraço”.
Segundo Mariz de Oliveira, Temer “está triste e aborrecido, mas tem muita esperança na Justiça”.
Para o criminalista, que, como Temer, foi secretário de Segurança paulista nos anos 1990, é um absurdo que a decisão se baseie “em acusações nas quais ele não foi ouvido”. Seria como os pais aplicaram um castigo antes de perguntarem em casa se o filho fez algo errado, comparou em conversa com jornalistas, na porta da superintendência.
Ele diz que o amigo está sendo “muito bem tratado” pela polícia, mas que “gostaria de sair hoje, gostaria de não ter sido preso”.

 

 

Com informações de Anna Virginia Balloussier e Ana Luiz Albuquerque/FolhaPress