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A senadora Simone Tebet (PMDB-MS) discursa durante sessão do Senado Federal, em Brasília. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

Renan e Tebet medem forças para definir candidato do MDB ao comando do Senado

Maior bancada do Senado, com 12 integrantes, o MDB começa a discutir na tarde desta terça-feira (29) quem será seu candidato oficial à presidência da Casa. Na tentativa de não rachar o partido, a decisão não deve sair nesta tarde, pois a discussão deve se arrastar por ao menos mais um dia.
O favorito é Renan Calheiros (MDB-AL), que tenta comandar o Senado pela quinta vez. Mas ele terá que medir forças com a líder da sigla na Casa, Simone Tebet (MDB-MS), que aposta na rejeição que correligionário tem por causa de pressão popular.
Contra ambos pesa o jogo duplo que senadores da legenda têm feito. Há nomes que aparecem na contabilidade dos dois candidatos, o que provoca alguma incerteza sobre o que acontecerá na reunião marcada no gabinete da liderança do partido.
Os dois começaram as conversas com seus pares ainda em 2018. Tebet oficializou seu nome na disputa na semana passada, enquanto Renan resiste em admitir que está no páreo, algo que só pretende fazer se sair vitorioso da reunião desta tarde.
Renan é senador desde 1995 e contra ele há o desgaste de quem já foi alvo de 18 inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) -9 casos já foram arquivados.
Seus adversários têm se articulado numa frente anti-Renan. Sete deles -Tebet, Davi Alcolumbre (DEM-AP), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Esperidião Amin (PP-SC), Alavaro Dias (PODE-PR), Major Olímpio (PSL-SP) e Angelo Coronel (PSD-BA)- reuniram-se no fim da tarde de segunda-feira (28) em um hotel em Brasília.
Discutiram como se posicionar em questões de ordem que devem ser apresentadas como fazer a eleição por voto aberto ou fechado, em um ou dois turnos e se Alcolumbre, único membro da Mesa que se reelegeu, pode presidir a sessão de votação mesmo sendo candidato. O grupo volta a se reunir na quinta-feira (31).
A disputa interna no MDB pode levar à fragmentação do partido. Por isso, o presidente nacional da legenda, Romero Jucá, vinha tentando fazer Renan desistir do enfrentamento, como revelou a Folha de S.Paulo.
Os dois jantaram na segunda à noite. Segundo a reportagem apurou, Jucá não acredita mais na possibilidade de desistência e passou a trabalhar pela redução de danos. Na manhã desta quinta, tentou passar uma imagem de unidade ao reunir Renan e Tebet na cerimônia de filiação do senador eleito Eduardo Gomes (TO), que deixa o SD e ingressou no MDB.
Questionado sobre possibilidade de se lançar como candidato avulso, caso seja derrotado na bancada, Renan foi enigmático.
“Não sou de abandonar o barco”, disse nesta manhã.
Além disso, há o temor de o partido perder o comando do Senado. Pela tradição, a maior bancada da Casa assume a presidência.
O presidente da República, Jair Bolsonaro, defende que o Planalto não se envolva na disputa, mas o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, descumpriu a ordem para tentar ajudar Alcolumbre.
Segundo Simone Tebet, o deputado Leonardo Quintão (MDB-MG), que atua na Casa Civil, foi até ela na semana passada pedir que ela não disputasse, pois o DEM, partido de Onyx, via Renan como um candidato mais frágil.
Foi um dos fatores que levou a líder do MDB a se lançar oficialmente na disputa. Mesmo que seja derrotada na bancada, ela considera concorrer como candidata avulsa.
Mas, a seu favor, Renan tem, ao menos por enquanto, decisão do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, favorável à votação é secreta, o que reduz a exposição de quem o apoiar o senador alagoano.
“Nós, senadores do PSL, já preparamos o requerimento para que a votação para presidente do Senado seja aberta”, anunciou a senadora eleita Juíza Selma Arruda (PSL-MT) em uma rede social.
Renan Calheiros, um dos poucos que resistiu à renovação das urnas, tem usado as redes sociais para passar recados.
Enquanto acena a Paulo Guedes, ministro da Economia, com sinais de simpatia à agenda econômica do governo faz cobranças públicas a outros integrantes da equipe de Jair Bolsonaro.
“Quintão mentiu para Simone Tebet sobre pedido de Ônix (sic). Não acredito que o ministro seja tão pouco inteligente”, escreveu ao comentar a intervenção de Onyx a favor de seu correligionário, Davi Alcolumbre.
Nesta segunda-feira, o ministro da Justiça, Sergio Moro, foi alvo de cobranças.
“Ministro Moro , quantas pessoas precisarão morrer para que a Polícia Federal faça operação na diretoria da Vale? Antes que preciosos indícios desapareçam. E quantos deputados deixarão o país sem que sejam protegidos? Precisamos da sua veemência de sempre”, disse em uma das mensagens.
Alvo de críticas do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), saiu em defesa do parlamentar no caso que envolve movimentações financeiras atípicas e suspeitas sobre integrantes do gabinete filho de Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).
Tebet conta com o apoio da cúpula do partido e de outros pré-candidatos que, em cima da hora, podem até desistir da disputa caso ela seja o nome escolhido pelo MDB.
Ela também acena ao governo com discurso a favor da reforma da Previdência, mas recusa o título de candidata do Palácio do Planalto.

 

Por Daniel Carvalho/Folhapress