Desafio a ser vencido #4

Conforme nossa análise e sugestões em nosso artigo o desafio a ser vencido 3, temos o dever de promovermos uma reflexão sobre novos rumos para o vale do rio Cuiabá que é composto por doze cidades, que como abaixo comentaremos é populosa e com uma renda muito baixa. *estimativa IBGE em 2018

As políticas públicas a serem criadas não são só responsabilidade do estado ou da união, é preciso o envolvimento das prefeituras, câmaras municipais e o engajamento da sociedade. Cada município tem que achar seu modelo de desenvolvimento. O vale do rio Cuiabá tem um mercado consumidor enorme de mais de um milhão de habitantes, por que não aproveitá-lo? É necessário o envolvimento também das universidades, da EMPAER, EMBRAPA os “esses” (SENAI, SENAC, SENAR, etc), do IFMT e dos casos de sucesso que vimos no campo e na cidade.

ITEM CIDADES POPULAÇÃO*
01 ACORIZAL 5.516
02 BARÃO DE MELGAÇO 7.691
03 CUIABÁ 607.153
04 CHAPADA DOS GUIMARÃES 19.588
05 JANGADA 8.366
06 NOBRES 15.338
07 NOSSA SENHORA  DO LIVRAMENTO 13.231
08 NOVA BRASILÂNDIA 3.928
09 POCONÉ 32.768
10 ROSÁRIO OESTE 17.237
11 SANTO ANTÔNIO DO LEVERGER 16.433
12 VÁRZEA GRANDE 282.009
TOTAL 1.029.258

 

Quando falamos no engajamento da sociedade civil organizada na melhoria da qualidade de vida da população ela tem que se dar no campo e na área urbana. Recentemente assistimos uma apresentação, via mídia, da Embrapa em Sinop o pessoal degustando uva e derivados (sucos, vinhos, doces, etc). Isso mostra que podemos ser um celeiro de frutas tanto para nosso consumo interno como para exportação. Ora, do que precisamos? De conhecimento e capital. Com a redução do emprego na cidade, porque não voltar às origens? Ou seja, manter e ampliar o trabalho no campo. Observamos diariamente, a Bahia um dos maiores produtores de manga e uva do Brasil, se exporta quase tudo. Por que não dar conhecimento a nosso campesino? Por que não facilitar o acesso a empréstimos com juros que lhe permita pagar e sem a burocracia dos bancos convencionais? Temos que dotar nosso banco de desenvolvimento para atender a essa demanda, estudando caso a caso, fazendo análise do pequeno tomador quer seja ele urbano ou rural na busca de ampliar o trabalho e renda.

Temos aqui no vale do rio Cuiabá vários cases de sucesso, vamos citar apenas dois:

  1. A Empaer desenvolveu em Acorizal uma pesquisa em que o produtor tira duas safras de mandioca por ano e em um hectare ele produz trinta mil quilos do produto por ano. É uma bela saída para o produtor familiar. Agora, não adianta todos produzirem mandioca se não a industrializarmos produzindo a fécula.
  2. E no entorno de Cuiabá temos famílias vivendo da produção de abacaxi de mesa, muito saboroso, só se for produzir em larga escala temos que encontrar mercado para absorver essa produção, assim como produzirmos o abacaxi para suco.

Nessa linha, temos que produzir sementes e mudas de plantas adaptadas à nossa altitude e a nosso clima, ai entra as nossas escolas de ensino superior (com pesquisas), o sistema s, a Embrapa e a Empaer e outros organismos trabalhando para a produção exclusiva de alimentos. Temos uma gama enorme de opções na cidade e no campo a ser trabalhada. O problema é um só: falta de conhecimento, financiamento barato e sem burocracia.

Ao longo dos séculos nosso homem do campo cuiabano e entorno aprendeu a plantar de forma rudimentar os seguintes produtos: mandioca, cana de açúcar, banana e criar gado sem nenhuma tecnologia. É necessário mudar esse modelo, com a inserção de novas tecnologias e novos produtos.

Quando participamos como secretário em várzea grande, fizemos uma negociação a cinco mãos, UFMT, IFMT, governo do estado, o proprietário de uma área no chapéu do sol e a prefeitura de várzea grande com o objetivo de criarmos dois campus universitário na terra de Couto Magalhães. Nossa negociação, em especial, com a ufmt pois, somos oriundo daquela instituição é levarmos cursos na área de ciência e tecnologia e o governo do estado ali implantar um centro tecnológico para funcionar como incubadora, geração de conhecimento, de novas tecnologias e de trabalho e renda. Isso aconteceu,  é necessário dar velocidade para a conclusão das obras dos novos campus onde os cursos da UFMT funcionam ainda no campus de Cuiabá e do IFMT em uma escola estadual na cidade industrial, bem como o governo do estado construir o centro tecnológico e colocá-lo para funcionar.

Porque esse mutirão para melhorar a economia dessa região? Se tomarmos em uma análise simples verificar-se á que o produto interno bruto médio do vale do rio cuiabá é de r$ 19.730,00 e dos municípios emergentes 58.892,85. Até cuiabá que é uma cidade “desenvolvida” não chega nem perto das cidades chamadas ricas. Abaixo apresentamos, segundo o IBGE, a renda percapta de cada cidade.

 

Comparativo renda per capta cidades vale do rio Cuiabá/Emergentes

Cidades vale do rio Cuiabá Renda média Cidades emergentes Renda média
Acorizal 10.692,66 Campo Novo do Parecis       65.984,21
Barão de Melgaço 10.207,60 Campo Verde 50.514,37
Cuiabá 36.556,40 Ipiranga do Norte     74.458,50
Chapada dos Guimarães 25.362,14 Lucas do Rio Verde       51.982,74
Jangada 28.775,34 Nova Mutum      64.585,11
Nobres 15.334,31 Querência        75.219,31
Nossa Senhora do Livramento 13.861,46 Rondonópolis       38.817,83
Nova Brasilândia 14.880,11 Primavera 54.783,26
Poconé             13.656,18 Sapezal     84.328,92
Rosário Oeste    15.334,31 Sinop 34.075,81
Santo Antônio do Leverger 28.775,34 Sorriso 57.976,91
Várzea Grande                23.333,50 Tapurah        53.987,21
 Renda média percapta   R$        19.730,78 Renda média percapta R$    58.892,85

 

            portanto, é preciso, com tanta violência no vale do rio Cuiabá com a pobreza em grande escala, baixa escolaridade, desemprego, baixa qualificação de nossos jovens e da população em geral,  um verdadeiro esforço de todos para melhorarmos nossa qualidade de vida.

Vejamos que aqui temos uma quantidade enorme de vagas para o ensino superior (publico e privado), mas poucos nativos as estão aproveitando. O problema, avaliação nossa empírica, está na base, em que nossas escolas desde a educação infantil até o segundo grau não são atrativas. Muita evasão escolar e os alunos frequentando escola em tempo parcial, sendo que seus pais na maioria das vezes tem que trabalhar para o sustento da família. Voltamos a repetir, que mais de 250 mil pessoas vivendo só aqui no vale do rio Cuiabá abaixo da linha da pobreza e outros tanto ganhando até um salário mínimo, ou seja, na pobreza, então, mais da metade da população de Cuiabá e seu entorno é muito pobre.

Índice de desenvolvimento humano

Cidades vale rio cuiabá Idh Ranking Cidades emergentes Idh Ranking
Acorizal 0,628 132º Campo Verde 0,734 24º
Barão de Melgaço 0,600 138º Ipiranga do Norte 0,750
Chapada dos Guimarães 0,688 67º Lucas do Rio Verde 0,727 19º
Cuiabá 0,785 Nova Mutum 0,768
Jangada 0,630 131º Campo Novo Parecis 0,758
Nossa Sra. Livramento 0,638 129º Querência 0,692 58º
Nova Brasilândia 0,651 120º Rondonópolis 0,755
Nobres 0,699 51º Primavera do Leste 0,752
Poconé 0,652 118º Sapezal 0,732 16º
Rosário oeste 0,650 122º Sinop 0,754
Sto. Antônio do  Leverger 0,656 114º Sorriso 0,744
Várzea grande 0,734 13º Tapuráh 0,714 30º

Referência: Categorias do índice

  • O índice varia de 0 até 1, sendo considerado: muito alto– de 0,800 a 1000; alto – de 0,700 a 0,799
  • Médio– de 0,600 a 0,699;  baixo – de 0,500 a 0,599 ;  baixo – de 0,500 a 0,599
  • Componentes do índice
  • idh-mé uma média geométrica entre o idh da renda (idh-r), idh da longevidade (idh-l) e idh educacional (idh-e).

O índice de desenvolvimento humano (idh) mede a qualidade de vida de uma população.

Em mato grosso, especialmente nos municípios mais pobres o que puxa para baixo o idh é a educação. Quando analisamos cada cidade do vale do rio Cuiabá verificou que temos indicadores iguais os da África pobre no quesito educação. Ele puxa para baixo esse indicador. Temos várias situações em que o índice (educação) é abaixo de 0,499. É preciso um esforço muito grande do governo federal (quem tem os recursos), do estado e dos municípios para acabarem com o que eu chamo de vergonhoso. É óbvio que esses indicadores ruins estão, em especial, nos municípios do vale do rio Cuiabá e nas cidades antigas oriundas do garimpo.

Por Bolanger José de Almeida
– Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Mato Grosso
– Especialista em Administração Contábil e Financeira pela Universidade Federal de Mato Grosso
– Mestrado em Contabilidade e Atuária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP
– Doutorando em Contabilidade pela Universidade Nacional de Rosário Central – Argentina
– Secretário da Prefeitura de Cuiabá por duas vezes
– Ocupou o cargo de Presidente CUIABÁPREV
– Secretário Municipal de Rosário Oeste
– Secretário Municipal de Fazenda, Planejamento e Controlador interno Várzea Grande
– Subsecretário de Fazenda do Estado de Mato Grosso
– Subsecretário de Planejamento do Estado de Mato Grosso
– Contador, Auditor e Consultor de diversas empresas de grande porte
– Perito Contábil, com diversos trabalhos efetuados pela Justiça Estadual e Federal