Bolanger José de Almeida – Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Mato Grosso – Especialista em Administração Contábil e Financeira pela Universidade Federal de Mato Grosso – Mestrado em Contabilidade e Atuária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP – Doutorando em Contabilidade pela Universidade Nacional de Rosário Central – Argentina – Secretário da Prefeitura de Cuiabá por duas vezes – Ocupou o cargo de Presidente CUIABÁPREV – Secretário Municipal de Rosário Oeste – Secretário Municipal de Fazenda, Planejamento e Controlador interno Várzea Grande – Subsecretário de Fazenda do Estado de Mato Grosso – Subsecretário de Planejamento do Estado de Mato Grosso – Contador, Auditor e Consultor de diversas empresas de grande porte – Perito Contábil, com diversos trabalhos efetuados pela Justiça Estadual e Federal

Desafio a ser vencido #3

Por Bolanger José de Almeida*

O grande flagelo de nosso tempo é o desemprego, que ocorre em nossa sociedade, em especial na classe mais jovem. Dados do IBGE, secretaria de estado de trabalho de mato grosso (SETAS), do ministério do desenvolvimento social (MDS) e da organização mundial do trabalho (OIT) nos mostra que esse é um fenômeno mundial e que a tendência é a força humana seja substituida por máquinas inteligentes. O IBGE publicou que temos só no vale do rio Cuiabá mais de cem mil jovens na faixa de quinze a vinte e nove anos que não estudam, não trabalham e não tem profissão

Na década de 80 o norte americano Alvim Tofler publicou um livro com o título de: “O Choque Do Futuro” mostrando que deveríamos nos readaptar a essa grande revolução cibernética que tivemos e continuamos a ver diariamente. Estudiosos e pesquisadores apresentam que várias profissões que são hoje oferecidas por escolas e universidades tendem a sumir. Em seu livro Marshall Mc Luhan com sua “Aldeia Global” previa uma sociedade igualitária tipo a música de John Lennon Imagine” e que as máquinas fariam o trabalho do homem, podendo este desfrutar dessa tecnologia. O que estamos vendo? Desemprego, salários baixos, desalento, depressão e baixo astral.

No início dos anos 90, também um estudioso, Jeremy Refkin em seu livro “O Fim do Emprego” já nos mostrava uma tendência diferente e que de fato ocorreu e não preparamos para vivenciar essa nova era por isso o desemprego está em alta atingindo, em especial, as camadas mais baixa da população, juventude com, uma redução drástica nos salários.

Qual a solução? Boa pergunta. Vamos transportar nosso caso para os treze municípios do Vale do Rio Cuiabá. Pelos indicadores do índice do desenvolvimento básico da educação – IDEB, publicado de dois em dois anos nossas escolas quer seja, as séries iniciais da primeira à quinta (responsabilidade dos municípios) e as finais da quinta à nona (responsabilidade do estado) e, ainda com responsabilidade exclusiva do estado o segundo grau estão abaixo do que se busca. É preciso melhorar muito para atingir um padrão de qualidade para que nossas crianças e jovens possam se contextualizar com as mudanças que estão já há muito estão acontecendo nesse nosso planeta. A média do IDEB para as faixas iniciais no ano de 2017 era de cinco e meio e de cinco para as séries finais, sendo que a série inicial obteve a média de 4,86 e as finais 4,04. Tivemos a curiosidade de olhar alguns planos de trabalho de alguns deputados estaduais eleitos, as propostas para a educação, na maioria das vezes são vagas, mas tem uma que achamos interessante que é a do professor auxiliar. Esse docente ficaria à disposição do professor de sala de aula ajudando os alunos que tem dificuldades de acompanhar o conteúdo. Essa proposta é interessantíssima porque a hora que o aluno tirar aquele bloqueio que é natural em qualquer pessoa, ele terá todas as condições de acompanhar o conteúdo sem prejudicar a qualidade da aula.

A educação infantil e as séries iniciais a qualidade, a formação ética e o civismo deve ser buscado a qualquer custo. É daí que sai o futuro “homem” com moral e dever cívico com a pátria. O aluno dessas séries deve ser encaminhado às séries finais 5ª à 9ª bem alfabetizado, com bom conhecimento de português e matemática já sabendo interpretar textos e se contextualizar dentro do mundo em que vive. Além da formação através do conhecimento deve-se formar o cidadão, isso é responsabilidade de todos. Com certeza esse aluno bem preparado nas séries iniciais deverá ser um bom aluno nas séries finais e a evasão será muito pouca e havendo continuidade na qualidade nas séries finais esse aluno no segundo grau será também, se não precisar abandonar a escola para trabalhar terá boa qualidade.

Temos um problema tão agravante quanto à qualidade do ensino que é a falta de disciplina de nossas crianças e jovens dentro da escola. É necessário pensar uma forma de trabalhar isso, como colocar a família nesse contexto? Como esses pais estão vivendo? Também os organismos acima nos mostra que temos mais de duzentos e cinquenta mil famílias no Vale do Rio Cuiabá vivendo abaixo da linha da pobreza (ou seja: com até r$ 250,00 reais por mês, você quer pior violência do que isso?

A violência é latente com casos de roubo, furto, feminicídio, estupro, mortes violentas, etc. Todo dia vemos casos divulgados pela mídia. Qual a nossa opção? Colocar mais polícia na rua? Olhem os números acima. Será que não temos que tentar construir uma nova sociedade com nossas crianças que ainda é possível mudar de rumo? Ter uma educação forte, uma família estruturada, escolas em tempo integral, boa alimentação e com aulas de moral, civismo, amor à pátria cumprimento de deveres para em longo prazo verificarmos e gozarmos dessas mudanças.

O Vale do Rio Cuiabá tem nesse momento uma oportunidade ímpar de iniciarmos uma discussão. Elegemos um governador que é cuiabano por opção, DEZ deputados estaduais, um deputado federal e dois senadores da república.  Não que temos que privilegiar essas doze cidades do vale, mas sim, discutir um grande programa de desenvolvimento local com envolvimento de toda sociedade organizada. Quero destacar que em mato grosso temos cidades, especialmente as antigas e que tiveram origem no garimpo, com os mesmos problemas das do Vale do Rio Cuiabá, portanto, é necessário o mesmo tratamento para termos indicadores semelhantes e não dois Mato Grosso: um rico e um pobre.

É preciso ousar, mesmo com a falta de dinheiro, economizar o máximo e ter uma gestão eficiente dos recursos voltados para financiar a educação. Ter projetos claros e negociar com o governo federal a liberação de recursos para melhorar nossa educação e criar oportunidades para essa juventude que está vindo aí.

O Vietnam está hoje entre as dez melhores educações do mundo. Qual foi o milagre? Investimento de um percentual considerável do pib em educação, valorização do professor e disciplina. País que foi arrasado por duas guerras está dando exemplo de como vai melhorar a vida de sua gente. Não compensa nem falar da Coréia do Sul, Japão, China, etc. Que se desenvolveram e hoje são verdadeiras potências econômicas no mundo que tiveram na disciplina e educação o atingimento de uma qualidade fantástica de vida do seu povo. O que estamos esperando? Cada ano perdido é mais uma geração que se frustra e fica sem destino.

 

 


Bolanger José de Almeida
– Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Mato Grosso
– Especialista em Administração Contábil e Financeira pela Universidade Federal de Mato Grosso
– Mestrado em Contabilidade e Atuária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP
– Doutorando em Contabilidade pela Universidade Nacional de Rosário Central – Argentina
– Secretário da Prefeitura de Cuiabá por duas vezes
– Ocupou o cargo de Presidente CUIABÁPREV
– Secretário Municipal de Rosário Oeste
– Secretário Municipal de Fazenda, Planejamento e Controlador interno Várzea Grande
– Subsecretário de Fazenda do Estado de Mato Grosso
– Subsecretário de Planejamento do Estado de Mato Grosso
– Contador, Auditor e Consultor de diversas empresas de grande porte
– Perito Contábil, com diversos trabalhos efetuados pela Justiça Estadual e Federal