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Casa Dom Inácio de Loyola, onde João de Deus fazia seus atendimentos, em Abadiânia — Foto: Alessandro Vieira/TV Anhanguera

Alvo de mandados de busca e apreensão, Casa Dom Inácio de Loyola retoma atendimentos após prisão de João de Deus

Administrador da instituição diz que trabalhos continuam, mas prevê queda de 50% no movimento sem a presença do médium. Denunciado por abuso sexual por mais de 500 mulheres, João de Deus nega acusações.

A Casa Dom Inácio de Loyola, onde João de Deus realizava seus atendimentos espirituais, retomou os trabalhos na manhã desta quarta-feira (19) após a prisão do médium, motivada por denúncias de abusos sexuais, sempre negadas por ele. O local, situado em Abadiânia, também foi alvo de mandados de busca e apreensão. A previsão da administração da casa é que o movimento da instituição tenha uma queda pela metade no movimento.

A casa abriu as portas às 6h, mas os atendimentos só começam às 8h. O responsável pelo local, Chico Lobo, informou ao G1 que várias caravanas de outros estados e do exterior – Europa e EUA – já chegaram para participar das celebrações.

Amigo de João de Deus há mais de 14 anos e administrador da casa, Lobo afirma que a ausência do médium altera muito pouco o modo como os trabalhos são realizados.

“Nós fazemos o processo de limpeza e depois damos o passe [benção] nos visitantes. A única coisa que não acontece é a consulta que cada participante faz diretamente com o João de Deus durante a sessão. Esse é o sistema que a gente sempre adotou quando ele estava viajando”, disse.

O administrador afirmou também que já espera uma queda no movimento, mas não somente pela ausência de João de Deus.

“É claro que vai ter uma queda. Claro que o mês de dezembro já é de pouca gente. Mas quem queria atendimento com o João vai deixar para vir em outra oportunidade. Estimo uma queda de 50% no movimento”, calcula.

Por fim, Lobo descartou que a casa interrompa seu funcionamento diante dos últimos acontecimentos.

“Não há previsão de fechar, nem de recesso. Tem várias pessoas que deslocam de outros lugares. Não tem sentido fazer isso”, avalia.

  • Ministério Público recebeu 506 relatos de abusos sexuais
  • Das mulheres que denunciaram caso ao MP, 30 já foram ouvidas
  • Polícia Civil colheu depoimentos de outras 15 mulheres. Apenas 1 caso vai virar inquérito
  • Há relatos de supostas vítimas de seis países e vários estados brasileiros
  • Médium é investigado por estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude
  • Força-tarefa também pretende investigar denúncia de lavagem de dinheiro
  • Não há pedido para suspensão do funcionamento da Casa Dom Inácio de Loyola, onde médium atende
Casa reabriu pela primeira vez após prisão de João de Deus — Foto: Reprodução/TV AnhangueraCasa reabriu pela primeira vez após prisão de João de Deus — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Buscas e apreensões

A Polícia Civil realizou na tarde desta terça-feira (18) buscas na Casa Dom Inácio de Loyola. Entre os itens apreendidos estão recibos de cursos superiores. Segundo a corporação, eles seriam pagos pelo médium a algumas das vítimas de abusos sexuais. Além disso, apreenderam mapas que mostram o quanto a casa aumentou de tamanho nos últimos anos.

A casa do médium também foi alvo da corporação. Nela, foram apreendidas uma mala com dinheiro e armas. A polícia não divulgou quantas e quais armas foram encontradas e nem qual o valor total em dinheiro que foi encontrado no local. O material foi encaminhado para a Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), unidade responsável pelas investigações.

O advogado de defesa Alberto Toron informou que não foi comunicado sobre as buscas feitas na casa de não tem conhecimento do objetivo da ação.

Polícia apreende mala com dinheiro e armas em casa de João de Deus, em Abadiânia — Foto: Reprodução/TV AnhangueraPolícia apreende mala com dinheiro e armas em casa de João de Deus, em Abadiânia — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Habeas corpus negado

A Justiça negou na terça-feira o habeas corpus para o médium João de Deus. O desembargador Jairo Ferreira Júnior foi o responsável por analisar o pedido em caráter liminar, feito pelo advogado Alberto Toron. Em nota, ele disse que pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

“Apenas a liminar foi apreciada e negada. O julgamento final do habeas deverá se dar após o recesso. Discordamos da decisão e vamos recorrer ao STJ”, declarou.

Na decisão, o desembargador analisou que o assunto deveria ser analisado pelo órgão colegiado, e não apenas por ele. “Ante a gravidade abstrata do delito e a necessidade de proteção às vítimas, em detrimento dos bons predicados pessoais, a presunção de inocência, da possibilidade de aplicação de medidas cautelares diversas da prisão e da ausência de elementos concretos que justifiquem o encarceramento provisório […], consistem, genuinamente, no próprio mérito da impetração, motivo pelo qual sua análise compete ao Órgão colegiado”, escreveu.

João de Deus se entregou à polícia no último domingo (16) — Foto: ReutersJoão de Deus se entregou à polícia no último domingo (16) — Foto: Reuters

Denúncias

João de Deus teve a prisão decretada na sexta (14) a pedido da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO), que investigam os relatos de abuso sexual durante atendimento na Casa Dom Inácio de Loyola. No domingo, ele se entregou à polícia em uma estrada de terra em Abadiânia.

O médium prestou depoimento na noite de domingo, durante três horas. João de Deus afirmou à Polícia Civil que, antes de as denúncias de abuso sexual virem à tona, foi ameaçado por um homem, por meio de uma ligação de celular. Além disso, negou os crimes e que tenha movimentado R$ 35 milhões nos últimos dias.