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O Presidente eleito Jair Bolsonaro, fala à imprensa. Foto Tânia Rêgo - Agência Brasil

Em Davos, Bolsonaro deve defender reformas e revisão do Mercosul

Em seu primeiro pronunciamento à comunidade internacional, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), pretende anunciar a revisão no acordo do Mercosul antes de avançar nas negociações com a União Europeia.
A ideia é que Bolsonaro use o Fórum Econômico de Davos, no fim de janeiro, como cartão de visita para melhorar sua imagem nos países desenvolvidos.
No mesmo evento, que reúne a elite da economia mundial, ele deve fazer uma defesa enfática da aprovação de uma reforma da Previdência, ressaltando que será a sua primeira medida estrutural.
Para participar do encontro, Bolsonaro deixou para depois da viagem à Suíça a cirurgia para a retirada de bolsa de colostomia.
A posição adotada por integrantes do novo governo, sobretudo no campo da política externa, tem causado impressão negativa na comunidade mundial.
Nesta semana, por exemplo, o futuro chanceler, Ernesto Araújo, afirmou que irá se desassociar do Pacto Global de Migração, apoiado por mais de 160 países, incluindo o Brasil.
Na avaliação da equipe do futuro presidente, para mudar a imagem de Bolsonaro, é preciso deixar claro a investidores estrangeiros que posições baseadas em ideologias que resultem em prejuízo para o país serão afastadas.
Bolsonaro ainda não tem clareza se o Mercosul favorece o Brasil ou se deve ser levado adiante.
Mesmo assim, ele pretende marcar uma reunião com a chanceler alemã, Angela Merkel, para discutir as negociações comerciais de um acordo entre o Mercosul e a União Europeia.
Na quarta-feira (12), Merkel reclamou para parlamentares que as negociações com o Mercosul estão emperradas. Ela disse que o tempo está se esgotando e que o novo governo no Brasil sinaliza que será difícil chegar a um acordo.
Pouco depois de sua nomeação, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que pretende rever a política comercial brasileira e que o Mercosul não seria prioridade, considerando o viés ideológico do bloco.
Embora Guedes tenha recuado em seguida, no núcleo mais próximo do presidente eleito, há defensores da ideia de que o Mercosul nunca funcionou como área de livre mercado e que, para o Brasil, seria mais vantajoso construir um acordo bilateral com os europeus.
A declaração da chanceler alemã teve reação dos países do Mercosul, segundo os quais todos os esforços foram feitos e o acordo só não saiu até o momento por resistência de países europeus.
Na tentativa de acalmar os ânimos externos, a equipe de Bolsonaro também ensaia uma aproximação com a China e com países do Oriente Médio.
A ideia é que o vice-presidente eleito, Hamilton Mourão (PRTB), faça uma visita no primeiro trimestre à nação asiática, o principal parceiro comercial do Brasil.
Na campanha eleitoral, Bolsonaro adotou uma retórica contrária à China, retratando-a como uma predadora comercial.
Para contornar o clima ruim, o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, se reuniu na quinta-feira (13) com o chefe interino da embaixada chinesa, Song Yang.
O esforço é para que o vice-presidente também visite países árabes, principalmente os que se irritaram com a possibilidade de o novo governo transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.
No encontro internacional, Bolsonaro dirá ainda que que a reforma da Previdência está em curso e que deve ser enviada ao Poder Legislativo no primeiro trimestre de 2019.
O assunto virou prioridade depois das visitas de investidores estrangeiros e presidentes de multinacionais a Bolsonaro e Mourão. Todos deixaram claro que, sem as reformas para o ajuste fiscal, não haverá fluxo de investimento.

 

Por Gustavo Uribe e Julio Wiziack/Folhapress