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Airbus da empresa Avianca - Foto Reprodução

Avianca entra com pedido de recuperação judicial

No pedido de recuperação judicial registrado pela companhia aérea Avianca Brasil na última sexta-feira (7), a empresa afirma que, caso o requerimento não seja concedido, poderá deixar de atender, até o fim do ano, 77 mil passageiros que já compraram bilhetes.
A empresa diz no requerimento que já está sofrendo ameaças de paralisação de suas operações porque já foram ajuizadas ações de reintegração de posse para a retomada de aeronaves.
No documento, a Avianca afirma que se acontecer a reintegração de posse de 14 aeronaves, que está sendo pleiteada em três ações judiciais, “isto representará uma redução aproximada de 30% da frota, o que inviabilizará o atendimento aproximado de 77.000 passageiros entre 10.12.2018 e 31.12.2018, que adquiriram as passagens aéreas, o que ocorrerá em período de alta temporada”.
Diz também que os empregos de mais de 5.500 funcionários ficarão ameaçados no final deste ano se o pedido não for deferido porque terá de cessar suas atividades.
A companhia aérea vive hoje uma disputa jurídica com empresas que arrendam aeronaves. No início deste mês, a Folha de S.Paulo antecipou os casos das empresas que entraram na Justiça contra a Avianca Brasil para pedir a retomada de aviões por falta de pagamento.
A irlandesa Constitution Aircraft obteve liminar para reaver 11 aviões. A subsidiária da BOC Aviation venceu em primeira instância processo para reaver outros dois aviões, em uma sentença da qual a Avianca recorreu.
No pedido de recuperação judicial, a Avianca detalha a gravidade da situação. “A cessação das operações de uma companhia aérea produz drásticas consequências aos usuários-consumidores, que simplesmente deixarão de ser transportados”, diz a empresa no documento.
Também são mencionados riscos para a aliança Star Alliance, da qual a empresa faz parte. Na hipótese de interrupção das operações da Avianca Brasil, diz o documento, seus passageiros “deixarão de fazer conexões internacionais especialmente considerando-se as associações de companhias aéreas internacionais a um grupo de membros, tal como a Star Alliance, que compartilha destes serviços aéreos entre diversas companhias aéreas no mundo todo”.
A crise econômica, o preço do combustível de aviação e até a paralisação dos caminhoneiros são mencionados como fatores que impactaram o fluxo de caixa. A empresa lembra que os custos do combustível representam entre 30% e 45% das despesas operacionais de companhias aéreas.
A companhia diz também que, diante do cenário de dificuldades, adotou medidas de corte de custos para reduzir os impactos. Em 2017, as operações domésticas apresentaram um resultado positivo, mas as operações internacionais tiveram prejuízo.
Procurado para comentar o caso, o presidente da empresa, Frederico Pedreira, não respondeu. A assessoria de imprensa da companhia também não se manifestou.
A Avianca Brasil, que opera voos regulares de 2002, atende hoje 26 destinos nacionais e quatro internacionais e sua frota tem 55 aeronaves Airbus, segundo informações da empresa.
A companhia se destacou no mercado doméstico nos últimos anos por ter como diferencial uma frota mais nova e pela agilidade em adotar inovações como as aeronaves A320neo, com tecnologia para otimizar o uso de combustível. Ela também foi umas das pioneiras na Amérca Latina a instalar internet a bordo e outros tipos de entretenimento. Na polêmica discussão em torno da cobrança do despacho de bagagem, liberada em abril de 2017, a Avianca foi a última a adotar a cobrança, apenas em setembro.
Dentre os argumentos apresentados pela Avianca Brasil para justificar seu pedido de recuperação judicial, a empresa cita a alta concentração de mercado característica no setor aéreo.
No acumulado deste ano até outubro, a companhia, que é a quarta maior do mercado (atrás de Latam, Gol e Azul), registrou 13,65% de participação no mercado de voos domésticos. No mercado internacional, a participação da Avianca Brasil no período foi de 7,04%, segundo dados da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).

 

Por Joana Cunha/Folhapress