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Ministro Eliseu Padilha disse que líderes dos caminhoneiros vão levar acordo para as bases - Foto Reprodução Tv Globo

Em quinto dia de paralisações, ministros se reúnem no Planalto para ‘avaliação de segurança’

Paralisações chegam ao quinto dia mesmo após o governo assinar documento com os caminhoneiros para encerramento da greve.

Com a greve dos caminhoneiros em seu quinto dia, mesmo após um acordo assinado entre governo e representantes da categoria, ministros se reuniram no Palácio do Planalto nesta sexta-feira (25) para uma “avaliação de segurança”.

O encontro foi organizado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência e comandado pelo chefe da pasta, general Sergio Etchegoyen. Ministros ou representantes dos ministérios da Defesa, Segurança Pública, Transportes, Minas e Energia, AGU, Fazenda e Casa Civil participaram do encontro.

“É uma reunião de rotina que vamos fazer uma avaliação do que ocorreu”, disse o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) antes do encontro.

O presidente Michel Temer participou do final da reunião, quando foi informado pelos ministros sobre o cenário do país após a continuidade da greve.

Questionado sobre a continuidade da paralisação, Eliseu Padilha disse que é preciso “dar um tempo” para os líderes da categoria conversarem com as bases. Ele ainda afirmou que os efeitos do acordo não ocorrem “imediatamente”.

O ministro afirmou, ainda, que o governo “confia” que a categoria vai cumprir o acordo firmado na noite de quinta (24).

Depois de mais de sete horas de reunião, o governo federal e representantes de caminhoneiros anunciaram proposta para suspender a greve por 15 dias. Contudo, as manifestações continuaram pelo país.

O governo propôs aos caminhoneiros, entre outros pontos, manter a redução de 10% do preço do óleo diesel nas refinarias e reajustar o preço com periodicidade mínima de 30 dias. A partir disso, a cada 30 dias, a Petrobras vai estipular o preço que será cobrado nas refinarias ao longo do mês.

Os caminhoneiros bloqueiam rodovias desde segunda, em protestos contra a alta do diesel e a política de preços da Petrobras, em vigor desde julho de 2017.

Os bloqueios de rodovias resultaram em falta de alimentos em supermercados e de combustível em postos de gasolina. O transporte coletivo em diversas cidades foi afetado, indústrias pararam atividades e voos começaram a ser cancelados por falta de combustível nos aeroportos.

Caminhoneiros mantêm protestos mesmo após acordo anunciado pelo Governo

Mesmo com uma série de decisões judiciais obtidas contra a greve o governo não conseguiu desobstruir as rodovias federais do país. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), responsável por cumprir as decisões obtidas na Justiça pela Advocacia Geral da União (AGU), argumenta que só pode agir quando há obstrução total das estradas – tática que tem sido evitada pelos manifestantes.

Entidades que representam os caminhoneiros

O G1 entrou em contato, nesta sexta-feira (25), com algumas das entidades que se reuniram com o governo. Veja o posicionamento delas sobre a paralisação:

Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA): De acordo com a assessoria, apesar de representar um milhão de caminhoneiros, a CNTA não tem poder de desmobilizar a greve, apenas de sugerir que haja o desbloqueio das vias. Cabe aos caminhoneiros decidir se acatam ou não.

União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam): O presidente da Unicam, José Araújo Silva, disse por telefone que, apesar de estar presente na reunião desta quinta, não assinou o acordo porque “não confia no governo”. De acordo com Silva, a greve só acaba quando a pauta original proposta pelos caminhoneiros – que inclui a eliminação do PIS-Confins do diesel – for atendida. A Unicam, segundo o presidente, representa um milhão de caminheiros.

CNT contra a paralisação

Também na manhã desta sexta-feira, a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) divulgou uma nota em que se manifesta contra a paralisação dos caminhoneiros.

No texto, a entidade disse que não registrou a participação de empresas de transporte na greve. No entanto, afirmou que se souber de alguma companhia aderindo à paralisação, o empresário responsável será punido.

Por Guilherme Mazui, G1, Brasília