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Katherine ao se reencontrar com a mulher que a hospedou em Alpestre (Foto: Arquivo Pessoal)

Turista britânica se alimentou de frutas e raízes por cinco dias na mata no interior do RS

A história da turista britânica encontrada em uma mataapós ficar cinco dias desaparecida comoveu a comunidade de Alpestre, na Região Norte do Rio Grande do Sul. No período, Katherine Sarah Brewster, de 27 anos, enfrentou sol e chuva, e se alimentou apenas de frutas e raízes. E bebeu muita água.

“Água é o que não falta por aqui”, disse ao G1 Marcos da Silva, um dos idealizadores da Unipermacultura, uma universidade que incentiva a agricultura para sobrevivência, sem uso da industrialização, e promove a criação de um ambiente sustentável e produtivo, em equilíbrio com a natureza. O local fica na Vila Dom José, bem perto de onde a britânica estava hospedada.

Foi o irmão dele que encontrou Katherine no início da tarde desta sexta-feira (30), com a ajuda de Edison Medeiros, um morador da região. Ela tinha sido vista pela última vez na manhã de domingo (25).

“Foi muito feliz encontrar ela. Eu sou pai, tenho 33 anos e uma filha de 6 anos, e em todo momento eu pensava em como seria dar uma informação para o pai dela, se ela tivesse morrido, por exemplo”, comentou Clairton da Silva, que é coordenador adminsitrativo da universidade.

“Eu acreditava que ela estava viva. Se eu fosse pai dela, eu não gostaria que as pessoas daqui desistissem de achar a minha filha. Eu, como pai, jamais desistiria”, afirmou ele.

Há cerca de um mês, Katherine foi acolhida na residência de um casal também ligado às práticas ambientalistas. Ela não estava com os frquentadores da Unipermacultura. Segundo Marcos, o local nem tem estrutura para receber turistas.

E, ainda de acordo com ele, Katherine não estava ali para estudar. Praticante de meditação e yoga, a britânica desejava permanecer em contato com a natureza. Ela fala português fluente.

“Ela me contou que está em um trabalho de desapego dos confortos da vida”, disse Marcos.

Os dois irmãos se uniram aos moradores e formaram equipes de busca para achar a estrangeira. Ao ser encontrada, a jovem relatou que havia saído para uma caminhada na mata, mas se perdeu. “Escureceu e ela não sabia mais voltar”, resumiu Marcos.

Katherine foi encontrada em uma cabana improvisada com galhos e folhas de bananeira, que ela mesma fez, a cerca de 10 km de distância de onde saiu. Estava magra e vestia a mesma roupa de quando saiu: uma camiseta e uma bermuda.

No caminho até lá, Clairton e Edison encontraram cascas de fruta e galhos arrancados. Consideraram pistas de que estavam perto do objetivo.

“A gente foi seguindo tudo isso, na intuição de que ia encontrar ela. Até que meu colega viu ela e a gente se aproximou”, contou Clairton.

“Ela estava bem, mas não conseguia caminhar, estava com os pés machucados, e estava debilitada também, porque tinha comido pouco, só frutas e raízes”, disse Clairton.

Os dois amigos se revezaram para carregar Katherine de volta à casa onde ela estava hospedada. Ela estava descalça e havia machucado os pés na mata

Na comunidade, a expectativa por um desfecho positivo era grande.

“Estava uma situação muito ruim aqui na comunidade. Uma mulher, uma estrangeira, que some assim, surge milhões de hipóteses, é? Infelizmente, a gente pensa em coisa ruim. Se desse uma zebra, nós seríamos culpados pelo resto da vida, porque estavam associando a presença dela aqui ao nosso projeto de educação. Mas é uma história feliz, no fim das contas”, afirmou Marcos.

Katherine fez exame de corpo de delito e prestou esclarecimentos à polícia . O delegado Ercilio Carletti confirmou que não havia sinais de violência.

A britânica está há dois anos no Brasil. Antes de Alpestre, morou em Florianópolis, em comunidades alternativas. Por enquanto, ainda não se sabe qual será o destino da estrangeira.

Por Rafaella Fraga, G1 RS