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Dia Mundial da Água: O “Velho rio Cuiabá”, há tempos demostra Sinais de Fraqueza…

Por Edileuza Faria*

 

Da torneira ela jorra com força e cristalina… Todos os dias…água para matar a sede… para higiene…para a sobrevivência diária de todos os seres vivos…água fonte de vida…

No dia 22 de março comemora-se o Dia Mundial da Água. A data é direcionada para debates, reflexões e ações positivas e concretas que correspondam a necessidade de conscientizar pessoas e autoridades sobre a importância de preservar os recursos naturais hídricos, principais fontes para a sobrevivência da vida no planeta.

Nesse sentido, os dados estatísticos apontam que o “Planeta Azul”, possui ¾ da sua superfície coberta por água, cujo 97% dessa água está nos oceanos (água salgada). Dos restantes 3% da água doce encontra-se na forma de gelo e subterrâneo. De toda água existente na Terra, apenas 1% está disponível em rios, lagos e reservatórios como recursos naturais hídricos. O Brasil contém a maior reserva de água doce da Terra, sendo 12% do total mundial. A região da Amazônia detém a maior bacia fluvial do mundo. De todos os rios do globo, o rio Amazonas concentra o maior volume de água, sendo considerado um rio essencial para o planeta.

Mas, para o desalento de muitos, o país ainda sofre com a escassez de água potável, e sua distribuição é de forma desigual e limitada. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2010 ter acesso a água limpa e potável é um direito garantido por lei.

E por falar em preservação dos recursos naturais hídricos, o rio Cuiabá que leva o mesmo nome da capital de Mato Grosso, é “testemunha ocular” das transformações do tempo, da história, do desenvolvimento socioeconômico e cultural da cidade e do Estado.

A nascente do rio está localizada no município de Rosário Oeste (105 km de Cuiabá). Sua extensão é de 828 km, suas águas circundam inúmeros municípios do Estado, divide as “coirmãs” Cuiabá e Várzea Grande e por fim, desemboca no Rio Paraguai em pleno Pantanal.

Mas, há tempos que o “velho rio Cuiabá” vem demonstrando sinais de fraqueza. O crescimento desordenado, o desmatamento das encostas, matas ciliares, assoreamento, o despejo de lixo doméstico e esgoto não tratado nas águas do Cuiabá, tem comprometido a qualidade da água e captação para consumo. A vida aquática do rio está seriamente prejudicada. O volume dos peixes tem diminuído consideravelmente, e nos casos mais sérios, algumas espécies de pescado não existem mais… Uma verdadeira degradação ecológica que tem dificultado a subsistência do tradicional pescador ribeirinho, que saudoso recorda as lembranças de um rio que oferecia fartura de peixe…

Mergulhar nas profundas memórias do rio Cuiabá, é se deparar com multiplicidades de outras histórias e de vidas que viveram intrinsicamente um passado próspero e singular com as águas do rio, em tempos imemoriais, o rio Cuiabá “ditava o ritmo da cidade”, fortalecia a identidade e os laços de interação urbana e cultural da cuiabania, em especial, daqueles que habitavam nas proximidades do rio…

Hoje a informação de que as águas do Cuiabá estão enfraquecidas, e que precisa de ajuda já não é mais novidade para ninguém. Como forma de chamar a atenção sobre a importância  de ações direcionadas e concretas para  conscientizar, preservar e garantir às gerações futuras o acesso a água potável  de qualidade, e  cultivar ainda mais  a importância histórico-social e cultural  do “velho rio Cuiabá” para a população cuiabana, encerro o texto com a canção de Antônio Lycério Pompeo de Barros, que nada mais é o testemunho  de um olhar  que retrata um passado remoto  das riquezas naturais que existia nas águas do Cuiabá: “Desce, rio Cuiabá… É canoa descendo, é canoa subindo, levando ou trazendo o seu pescador… É o anzol temperado, a tarrafa, o arpão, o jacá transbordado e o dinheiro na mão, é o homem feliz senhor de seu chão… Desce rio Cuiabá… Mas um dia, afinal, o progresso chegou e, entre o bem e o mal, lindo rio matou… Já não há pescador, pois que peixe não há!… há um rio a rolar, espumado de dor, saudade a levar de seu ex-pescador, desce, rio Cuiabá…”.

*Edileuza Faria é Jornalista e Bacharel em Direito