Um olhar para Cuiabá

Por Edileuza Faria*

Da janela do carro, observo a cidade e seus contornos. Num primeiro momento, a histórica e acolhedora Cuiabá se apresenta como uma cidade igual a tantas outras. Com ruas, avenidas, viadutos, praças, igrejas, construções, palavras e gente.

Prestes a completar 300 anos, para cada canto  que se olha, os concretos do tão almejado progresso estão em constante  movimento, e  estes vem redesenhando os  espaços urbanos da cidade.  Em contra partida, observa-se que a histórica Cuiabá, tem relutado incansavelmente para não sair do seu sono tranquilo, com o objetivo de preservar e manter sua memória arquitetônica colonial, neste tempo presente.

Mas, a ânsia e a necessidade de modernizar “rapidamente” os espaços urbanos de Cuiabá, infelizmente têm apagado cada vez mais os traços históricos da cidade, que ainda é lembrada pela cuiabania por sua simplicidade e calmaria. Num tempo em que o tic tac do relógio não tinha muita pressa em passar.

Uma Cuiabá que aberta e hospitaleira, cheia de cantos e encantos. Durante as comemorações religiosas a fé, a tradição e a alegria da antiga cuiabania fervilhavam os ares da cidade, e num clima de confraternização todos se conheciam. Mas, eram nos festejos na casa de Dona Bem Bem que ninguém ficava de fora…

Sempre iluminada pelo sol, a Cuiabá de outrora era vista num palco lírico, emoldurado por majestosas árvores que havia nos quintais e nos espaços vazios da cidade em especial, as frondosas mangueiras, cajueiros e limoeiros.

Mas, era lá do alto do Morro da Luz, que se admirava com um olhar singular o exuberante verde das árvores contracenar com os telhados cor de terra dos antigos casarios…

Assim aquela nostálgica e pitoresca Cuiabá era carinhosamente chamada de Cidade Verde…

Volto ao Morro da Luz, o olhar contempla a mesma paisagem, entretanto a sensação não é a mesma…

Cadê o VERDE da Cidade Verde?!

*Edileuza Faria é Jornalista e Bacharel em Direito