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Campeã paralímpica se interna e aguarda data para receber injeção letal

Após diagnosticarem a sua doença, os médicos recomendaram a Marieke Vervoort se manter ativa. No esporte, ela encontrou um motivo para seguir em frente. Com a Rio 2016, já conquistou três medalhas olímpicas.

A belga Marieke Vervoort, campeã paralímpica em Londres-2012 e medalhista na Rio-2016, passará pelo processo de eutanásia e já está internada, segundo o Telegraph.

A paratleta ficou conhecida no Brasil após os Jogos do Rio, em que assumiu não suportar as fortes dores que sentia por conta de uma tetraplegia progressível que sofre desde os 14 anos, e que não tem cura.

“Não quero sofrer mais, isso é muito difícil para mim. A cada dia me deprimo mais e mais. Nunca tive esses sentimentos, mas não posso mais com isso. Nunca experimentei estes sentimentos, estou chorando muito”, relatou a atleta, que se encontra internada no Hospital Universitário de Bruxelas.

Apesar da internação, a injeção letal ainda não tem data marcada. A recomendação para eutanásia, afirma a reportagem, foi feita pelo seu médico.

Já são mais de 20 anos com esta luta cotidiana, em que percebe como o próprio corpo responde um pouco menos a cada ano que passa.

Ela sofre com desmaios, ataques de epilepsia, intensas dores e, em pouco tempo, sabe que deixará de ver. Na verdade, só tem cerca de 20% da visão. Em poucos meses ou anos, a escuridão lhe abraçará por completo.

A sua existência é um relato de uma vida condenada à invalidez permanente, à cegueira, à desconexão total daquilo que tanto ama: a vida.

A história de Marieke Vervoot

A história de Marieke Vervoot, a atleta paraolímpica que assinou sua eutanásia

Desde muito cedo, ela soube o que lhe ocorreria. Após o diagnóstico da doença, segundo suas próprias palavras, pensou em suicídio. No entanto, algo ocorreu.

Seus médicos comentaram que um modo de ganhar qualidade de vida era se manter ativa. O esporte é luta e é sobrevivência, e isso a agradou. Encontrou um motivo.

Começou a jogar basquete em cadeira de rodas. Mais tarde, experimentou o mergulho e a natação, mas foi no triatlo que se encontrou, onde vieram os primeiros prêmios e o reconhecimento.

Em 2006, se tornou campeã no mundo do para-triatlo, uma conquista que obteve por dois anos seguidos.

No entanto, em 2008, sua doença piorou ao ponto de não poder continuar com o triatlo. Sua vida se deteve. Mas seu país lhe ofereceu apoio: pediram-lhe para contar sua história na televisão.

Seu corpo já não servia para esse esporte que tanto amava, e sabia também que, em alguns anos, seu corpo e sua visão se apagariam para sempre.

Depois de deixar de lado o triatlo, chegou ao Windcar, um tipo de corrida em que os carros se movem graças à ação do vento, e em que se tornou vice-campeã em 2011.

Depois disso, iniciou outra especialidade: o atletismo em cadeira de rodas. Após ser incluída na categoria T-52, bateu todos os recordes continentais.

Suas conquistas nos jogos Olímpicos de Londres 2012 a encheram de emoção. Continuava tendo motivos para viver, apesar da dor acompanhá-la a cada dia.

Tanto é assim que, atualmente, só pode dormir em períodos de 10 minutos, devido à intensa dor.

Os ataques de epilepsia também estão cada vez mais intensos. Ela sabe que seu tempo se vai como um lento entardecer, mas, enquanto isso, e, segundo suas próprias palavras, desfrutará ao máximo da vida.

Marieke Vervoort com seu cachorro

Mas quando a cegueira completa chegar, quando seu corpo já não for seu, mas da dor e da total paralisia, ela dirá adeus. A eutanásia não é uma rendição. É um descanso para os mais valentes.

Já escolheu como será seu funeral: suas cinzas serão lançadas ao mar em Lanzarote (Ilhas Canárias, Espanha).

Quer que os seus se lembrem dela com um sorriso, porque é assim que ela os verá a todos quando descansar em paz. Sem sofrimento.

 

Com Esporte ao Minuto e Melhor com Saúde (Conteúdo)