Como as construções desordenadas prejudicam nascentes de córregos

A natureza está sendo prejudicada pelas construções desordenadas das cidades. Especialistas alertam para um controle urgente das edificações que estão acabando com as nascentes dos córregos.
Um exemplo de nascente que deixou de existir por causa do crescimento urbano é a do córrego da Canjica, que hoje se transformou em um local que recebe esgoto. “Quando se perde uma nascente poucos casos são recuperáveis”, alerta o geólogo Prudêncio de Castro. “Nesse caso específico possuímos uma avenida asfaltada por cima da nascente e edifícios altos construídos ao redor. Podemos recuperar cursos d’água até determinados limites, quando se extingue a nascente e o solo hidromórfico é drenado, é uma transformação irreversível”.
Pouco mais de 24 córregos cortam Cuiabá e muitos deles transbordam com a chuva forte e a água chega a inundar ruas e casas. “A quantidade de resíduos que são lançados nos recursos hídricos hoje em dia é muito grande que chegam a atrapalhar no cálculo da área de um canal. A educação ambiental é muito importante e a população tem que saber que todos possuímos uma responsabilidade social muito grande. Falta consciência”, avalia a engenheira sanitarista e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária, secção de Mato Grosso (Abes-MT), Sara Caporossi.
Já pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), alertam para o fato de que “existe uma cidade clandestina dentro de Cuiabá, a cidade formal, ou seja, construções desordenadas prejudicam as nascentes”, declara a pesquisadora Eliana Rondon.
Outro exemplo da ocupação desordenada, mas que conseguiu ser recuperada é a lagoa encantada no bairro CPA 3 em Cuiabá. Atualmente recuperada, o local era uma área degradada, cheia de erosão e nenhum tipo de verde.  O local está dentro da micro bacia do córrego do Caju, que é um os locais de estudo dos pesquisadores da UFMT que desenvolveram um método que faz um diagnóstico específico do curso das águas na capital, levando em consideração elementos como a vegetação, erosão e resíduos.
“Nessa área houve um plano de recuperação de áreas degradadas, onde foi definido que deveria ser plantada árvores, o espaçamento entre as mesmas, quais as espécies.  Também identificamos a questão dos resíduos o que nos mostra se o serviço de coleta regular dos mesmos ocorre, ou  se existem bolsões desses resíduos espalhados e isso tudo é quantificado”, explica Eliana Rondon.
O objetivo é identificar os pontos de degradação próximo aos córregos. A maneira como a habitação se estabelece e, também é levada em consideração nas pesquisas de campo que traçam o perfil de cada região. “Como que as habitações dentro dessa micro bacia estão localizadas, se estão ocupando áreas de áreas de preservação permanentes – as APPs, áreas verdes ou de equipamentos comunitários. Com esse método é possível ver essa interação”, descreve.
O estudo também alerta para que se evite construções em locais onde as nascentes existem e se tenha um crescimento urbano ordenado e sustentável, o que vai refletir na qualidade de vida das futuras gerações.
Da Redação