Convivendo com o diabetes!

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No dia 03 de abril de 2014, o Diabetes (Tipo 1) entrou na minha vida. Ninguém espera um diagnóstico desses. Foi de forma abrupta, quando os sintomas surgiram já estava em cetoacidose (coma diabético), foi uma noite de horror até chegarmos à unidade de terapia intensiva. Lá foram 12 dias de agonia.

Lembro-me de sentir um misto de desespero e necessidade de força, quando o diagnóstico se confirmou. Eu não sabia nada sobre diabetes, para mim não era doença de criança, mas naquele momento era necessário trazê-lo de volta sem sequelas.

Eu estava completamente sem chão, sem informações, eu só pedia pela vida do meu filho mesmo sem entender nada. Depois de alguns dias na Unidade de Observação, fomos para o quarto, e aí a realidade bateu de frente. Nem todos os médicos sabiam lidar com o diabetes, eu não sabia nada de diabetes, as glicemias variavam de 499 a 30 rapidamente, e apesar de estar dentro de um Hospital particular, precisei contratar um endócrino pediatra para organizar aquela bagunça toda.

Eu queria saber da sobrevida, das possibilidades, das fatalidades, eu queria conhecer o que eu estava lidando de forma profunda, eu queria entender as variações de glicemia, as interferências alimentares.

Diabetes mudou a minha vida, mudou meus valores.

Para segurança do meu Pequeno, comecei a pesquisar e estudar nutrição, tudo sobre diabetes.

Tenho a melhor equipe de saúde que poderia ter para cuidar do meu filho. Tento incentivar a luta por um futuro sem sequelas e isso tem me deixado cada vez mais forte para manter a glicemias do meu filho controlado.

Hoje, conheço muitas possibilidades para uma vida com diabetes, e que isso é questão das escolhas que fazemos no nosso dia-a-dia. Nós escolhemos a qualidade de vida, mudamos a nossa alimentação, nossa rotina e hoje, controlar a glicemia é algo tão natural que não sentimos por furar o dedinho, não sentimos por deixar de comer certos alimentos em exagero, nem sentimos.

O caminho para a aceitação é difícil. Muitas vezes significa renunciar hábitos, mudar rotinas, aprender a sonhar diferente. Acredito que nossa experiência de aceitação e luta por uma vida sem sequelas ajude outras mães e pais a se engajarem mais nesse controle, a ver o diagnóstico de outra forma.

Buscar informações sobre diabetes é um diferencial, como também o é, ter conhecido muitas pessoas que vivem a mesma realidade que eu e meu filho.

Não posso dizer que não fraquejo. Às vezes, bate o cansaço, as forças parecem sumir, então eu olho para meu Pequeno Valente em toda a sua alegria e resignação e descubro que não estou sozinha:

  • Ei, passamos por isso e estamos aqui, com uma melhor qualidade de vida, uma infância como outra qualquer e felizes, isso vai passar!  Melhor amor do Mundo (MD).

 

Por Andréia Kruger*

*Graduada em Direito com Especialização em Direito Ambiental e Alimentos.

Acadêmica do Curso de Nutrição e MÃE de um Docinho Diabético tipo 1.

diabeticosmt@outlook.com