O Brasil que agoniza – 3

O resultado da votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados é mais didático do que político. Mostra o amadorismo de uma política partidária brasileira que germina nas latas de lixo de Brasília e dos rincões brasileiros. Revelou o Brasil politicamente decadente e uma nação perplexa diante de si mesma. Como deixamos chegar a esse ponto? perguntariam os brasileiros se ao longo das últimas décadas tivessem se preocupado com a sua nação.

Junto do resultado que vai pro Senado Federal concluí-lo vão junto também as apreensões desses brasileiros de cidadania tardia. Lá, sabem que é um ninho de cobras voltado para as suas próprias mordidas. Lá também não existe uma cidadania legítima. No máximo algum receio de ver gente pacata vestida de camiseta amarela perambulando pelas ruas, incapaz de alguma reação efetiva. Não sabe como agir e nem sabe como atuar diante de um Senado que possa decidir pelo arquivamento do processo de impeachment. É uma hipótese para questionar a capacidade de reação do povo nas ruas. E uma real possibilidade no Senado presidido por Renan Calheiros.

A idéia dessas provocações é gerar, quem sabe, alguma reflexão. E mostrar um poderoso clima de desconfiança na cabeça da população em relação a todos os agentes políticos no parlamento, no executivo e no judiciário. É o Brasil que agoniza, tema desta série de artigos. Que comportamentos são esses que podem ou não morrer dentro do conjunto deste processo de impeachment? Vou citar alguns, mas certamente serão muitos mais porque deixamos o Brasil descer morro abaixo nas últimas décadas.

Lula, Dilma e afins, são apenas a ponta de um iceberg histórico de política patrimonialista, onde o individual sempre dominou sobre o coletivo. O Brasil que aparece na foto do impeachment deveria ser de sucessão histórica de velhas fotos com séculos de existência. No artigo de amanhã, as mudanças que agonizam.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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