“Não tô nem ali, nem aqui”

É o título de capa do caderno “Eu e Fim de semana”, deste domingo, do jornal Valor Econômico, onde analisa temas em profundidade. Refere-se à pouca participação dos jovens nas manifestações de rua em apoio e em oposição ao governo Dilma Rousseff realizadas desde junho de 2013. Na verdade, quando as manifestações de rua começaram, o número de jovens decaiu até chegar a 6% no último dia 13, o maior de todos os protestos.

Como os jovens resumem sua participação? “Esses protestos não me representam”, dizem. Eles se vêem distantes da polarização que domina a agenda política tradicional, especialmente em relação ao impeachment. O Instituto Datafolha pesquisou a participação deles nos protestos desde 2013. Um exemplo: no primeiro grande ato de 2015, com 210 mil pessoas em São Paulo, a presença de jovens entre 12 e 20 anos, foi de apenas 6%. No geral, a média de idade era de 40 anos. Nesta gigantesca manifestação de 13 de março, apenas 4% de jovens entre 12 e 20 anos, e a idade média foi de 46%. Está muito visível que essa parcela da juventude não está interessada nos temas propostos. No entanto, em São Paulo, a camada de jovens entre os 12 e os 16 anos é de 16,4%.

Uma estudante definiu bem a percepção deles dizendo que “a decisão de não ir à manifestação também é uma decisão política”.  Outro: “os protestos são diferentes daqueles de 2013. Não são por demandas, como ônibus e educação, e refletem disputa partidária”.  Outra: “de 19 anos, da USP: “essas manifestações não são as nossas bandeiras. Não me representam”. Um estudante de 16 anos “acha que o impeachment não é a solução para os problemas que estão aí”. E uma disse uma frase muito simbólica: “o fato de não ir à manifestação não é sinal de desinteresse na política. Acho que nunca discuti tanta política como tenho discutido atualmente, com amigas, lá em casa mesmo e com o meu namorado”.

Por fim, um pensamento que resume essa aparente despolitização, pra terminar o artigo de hoje, que continuará amanhã: “não são as nossas bandeiras. Não dá pra apoiar o governo, mas também não dá pra apoiar essa oposição”. Até amanhã.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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