Velho x Novo

Tá muito claro que o sistema político adotado no Brasil pra eleger os representantes sociais nas esferas municipais, estaduais e federal há muito não serve mais. A ineficiência da representação e a corrupção mataram eleição após eleição a credibilidade dos políticos eleitos e da sua representação. Em recente entrevista ao programa “Diálogos com Mário Sergio Conti”, na Globonews, o senador José Serra-PSDB, definiu bem: “a representação política distanciou-se da sociedade que já não se sente mais representada pelos políticos eleitos”. Pura verdade!

Queria fazer um breve resgate desse tema aqui em Mato Grosso, a partir da divisão quando nasceu o atual estado. Surgiram dois grupos políticos. Um conhecido como “o grupo dos Campos”, e outro “o grupo do Bezerra e do Dante”. Dividiram a representação entre si desde 1979 até 2002. Os dois morreram a partir de 1998, quando seus mais significativos disputaram entre si uma eleição cruel ao governo: Júlio Campos coligado com Carlos Bezerra contra Dante. Ganhou Dante, mas enterrava ali a hegemonia histórica de ambos. Restou até 2014 o senador Jaime Campos, o último daqueles grupos.

Em 2002 aparece no cenário o produtor rural Blairo Maggi que teve dois mandatos de governador e um atual de senador. De lá para cá apareceram três personagens fortes no cenário político: deputado estadual José Riva, hoje fora da política, Mauro Mendes e Pedro Taques. Recentemente Blairo Maggi esteve com o pé dentro do PMDB e saiu na última hora depois que o governador Pedro Taques disse que não apoiaria Mauro Mendes a prefeito de Cuiabá subindo no palanque onde estivesse o PMDB. Maggi recuou. O leitor perguntaria por que?. Taques, Maggi e Mauro são o embrião de um novo grupo político no estado, à semelhança dos anteriores. Esperam conduzir a política por muito tempo, considerando que são jovens e juntam perfis e origens complementares.

Como oposição ainda não tem uma frente. Apenas nomes avulsos como o senador Welinton Fagundes, deputados Emanuel Pinheiro, prefeito de Rondonópolis Percival Muniz. Quem mais? Não se enxerga. Renovaçao? Eis a pergunta.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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