Orgulho!

 

Não gostaria de falar sobre manifestações e nem sobre as crises de governo, da política e da economia neste artigo. Mas gostaria de registrar o meu orgulho surpreso, com as atitudes de alguns setores da vida pública brasileira que reagiram com decência nestes últimos acontecimentos. Entre eles a justiça que saiu do seu eterno berço esplêndido e deu um tom de nacionalidade à vida brasileira. No Congresso Nacional, alguns poucos personagens saíram das sombras e se mostraram brasileiros. Outros perderam a oportunidade se afundaram mais no mar de lama.

Contudo, o povo brasileiro foi surpreendente. Através das redes sociais uma multidão imensa cobriu de verde e amarelo as ruas e avenidas de 27 capitais e de 426 cidades. Pacificamente. Foco definido em “Fora Dilma”, “Fora Lula”, Fora PT”, “Fora corrupção” e destacado apoio ao juiz Sergio Moro, da Operação Lava-Jato. Isso é clareza de objetivos.

Melhor. Não se usou partidos políticos ou políticos para qualquer tipo de apoio. Movimentos assim custam dinheiro. Empresa e pessoas físicas doaram para os movimentos. Em Cuiabá muitas empresas e federações como as da Indústria e a de Comércio doaram camisetas, carros de som, etc. Nenhum centavo público ou político. Pode parecer banal, mas representa um crescimento tanto de quem organiza voluntariamente como de quem doa sem esperar benefícios em troca. A organização em Cuiabá e numa porção de municípios foi feita por movimentos voluntários. O mais antigo é o Movimento Muda Brasil, o Movimento pela Ordem (formado por maçons de todo o Estado e com expansão em outros estados), e os Gigantes. Gente de empresas, profissionais liberais, alguns funcionários públicos se dedicaram dias e noites de panfletagem nas avenidas e ruas da capital e nas manifestações. Todos voluntários cidadãos.

Neste espaço sempre critiquei veemente a alienação do povo brasileiro, escravizado pelo fanatismo ao futebol, à cerveja e às telenovelas. Admito publicamente que jamais acreditaria que esse povo alienado e acomodado pudesse se agigantar de repente diante dos caos em que o governo transformou o país. Confesso o meu orgulho, quase fanático por jovens e adultos, mulheres e homens em todo o país, tocados pela mesma motivação cidadã. Voltei a ter fé no meu Brasil. Vestido de verde e de amarelo.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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