Muito obrigado, Canellas!

Mato Grosso começa 2016 com uma grande perda: a morte do ex-senador Benedito Canellas. Homem experiente, de gosto refinado e de uma lucidez que o manteve ativo no mundo político, onde começou como vereador em Cáceres, ainda em 1965 (conquistou 1.313 dos 1.800 votos válidos do município). Depois, elegeu-se deputado estadual mais votado em 1970, federal mais votado em 1974 e senador mais votado em 1978 (o primeiro a ser eleito logo após a divisão de Mato Grosso). A partir de então, resolveu não mais se candidatar e só atuar nos bastidores políticos.

Canellas foi um desbravador, desses que marcam a história de Mato Grosso. Com a mesma estirpe de Enio Pepino (fundador de Sinop e outras cidades do Norte) e Norberto Schwantz (na região do Araguaia), ele enfrentou o cerrado e abriu novas cidades na região de Cáceres, como São José dos Quatro Marcos e Reserva do Cabaçal. Na época, ele presidia a Codemat (Companhia de Desenvolvimento de Mato Grosso), hoje extinta. Ganhou essa missão do seu amigo pessoal, o então governador Pedro Pedrossian, que o havia convencido a trocar São Paulo por Mato Grosso.

Como senador, Canellas chegou a ser um dos homens mais influentes da República. Fazia parte do restrito grupo que tomava uísque com o então presidente João Batista Figueiredo, a quem emprestava a sua sensibilidade política e visão estratégica. E Mato Grosso ganhou muito com essa proximidade entre o Canellas e o presidente da República. Foi um período em que o governo federal fez grandes aportes de recursos para o Estado, que resultaram na abertura de novas estradas, construção de pontes e o surgimento de novas cidades.

Alguns anos depois, eu – Wellington Fagundes – um mato-grossense nato, começaria a minha vida política em Rondonópolis e meu primeiro desafio era ser candidato a deputado federal (1990) e fui incentivado por Canellas, que sempre me emprestou a sua experiência e lucidez para guiar os meus passos. Ele foi o primeiro coordenador da minha campanha e sempre fez parte de todas as outras, até na última (a de senador) em 2014, quando atuou como membro do Conselho Político. Foram sete campanhas eleitorais (seis como deputado federal e um como senador) e todas vitoriosas. Nunca deixei de me aconselhar com Canellas. Atuando nos bastidores, era muito bem informado e nos municiava com informações estratégicas. Era um conciliador nato. Morreu sem nunca ter tido um inimigo, apesar da vida política que, em alguns momentos, nos leva a embates.

Não tenho como negar a sua influência em minha vida política e na vida pessoal. Ao tomar posse como senador da República, em fevereiro passado, fiz questão de dizer que, como referência para o meu mandato, estava a figura de Benedito Canellas. Levo comigo algumas lições que aprendi com ele e que nunca esquecerei.

Obrigado, Canellas!Senador Wellinton

Wellington Fagundes é senador da República por MT

Foto Capa: atribunamt