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Eder Moraes atribui erros da Copa à gestão deficitária em depoimento para CPI

Eder Moraes 1 - Fablicio Rodrigues Fablicio Rodrigues - CPI da CopaO ex-secretário da Copa entregou 35 mil páginas de documentos que comprovariam a viabilidade do modal VLT

 

 

Com 35 mil páginas de documentação, o ex-secretário da Copa, Eder Moraes prestou seu segundo depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as Obras da Copa, na sessão desta terça-feira (10). Além de entregar a referida documentação sobre o modal Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o ex-secretário alegou sofrer perseguição e que as obras da Copa não foram concluídas pela falta de gestão e de pulso, em referência ao ex-secretário Maurício Guimarães, que o substituiu e ao ex-governador Silval Barbosa.

Em seu depoimento, Eder Moraes destacou que quando assumiu a Agência da Copa (Agecopa) para transição para a Secretaria da Copa (Secopa) havia um estado de letargia, em que as obras não saíam do papel.

“O governador me solicitou a missão de assumir a Agecopa, e disse que só iria se o modelo implantado fosse mudado, porque não funcionava, todos mandavam e só um respondia. Sou o responsável pelo encerramento da Agecopa, pois estávamos entrando em 2012, e nada substancial existia para a Copa. Tudo estava no campo imaginário e conceitual. Não houve combinação, foi apenas uma decisão de governo”, relatou.

O ex-secretário destacou que o projeto do VLT seria mais benéfico para o Estado, pois apresentava 60% menos desapropriações do que o BRT. “Os projetos do BRT estavam prontos, mas isso não atrasaria as obras, pois transformaríamos para o VLT, então fizemos a defesa técnica junto ao Ministério das Cidades”, afirmou.

Conforme Eder Moraes, todos os projetos foram realizados durante sua gestão à frente da Copa, e que quando foi efetivada a ordem de serviço, foi tirado do cargo. O ex-secretário ressaltou recursos na ordem de R$1 bilhão para investimento nas obras da Copa, valores que saíram de fundos como o Fethab. Além disso, lembrou que Cuiabá foi a primeira sede a utilizar o modelo de Regime Diferenciado de Contratação (RDC).

De acordo com o ex-secretário, projeto básico de viabilidade técnica e financeira do VLT foi realizado pela Ferconsult empresa de Portugal que é especialista no assunto. “Este estudo também é tarifário e aponta que valor da passagem iria variar de R$1,77 para R$3,50. Houve total anuência do governo para trocar o modal BRT para o VLT, e esta decisão é de governo e não do Ministério das Cidades. Desconheço fraude na troca do parecer do Ministério, o que ocorreu foi o convencimento técnico”, disse.

Para Eder Moraes, houve falta de gestão para tocar as obras da Copa. “Faltou dar ‘porrada’ na mesa, na minha gestão eu peitava tudo, dentro da legalidade, e depois saiu aditivos para o Consórcio VLT, que é algo que o RDC não permite, e é preciso saber lidar com essas empreiteiras. Faltou pulso na gestão. E hoje ninguém sabe o que vai faltar para concluir, esse atual governo fica na base do discurso e não toma providências para retomar as obras”, declarou.

Sobre sua saída da Secopa, Eder explicou que um dos fatores que culminaram em sua exoneração do cargo, foi o fato de ter se negado a atender pedido do governo para atrasar as obras da Arena Pantanal, que seriam concluídas um ano e meio antes dos jogos do Mundial.

“Houve uma pressão também por parte dos deputados estaduais, acredito que comecei a incomodar porque havia um acordo que o Legislativo indicaria para o cargo do TCE, o ex-deputado Sérgio Ricardo, e o Executivo me indicaria para a outra vaga. Porém, acordei um dia com o Sérgio como conselheiro e percebi que havia ficado para trás, porque me foi furtado o direito que era acordado. Nenhuma dessas pessoas sustentou isso, mas foi uma das justificativas que o Silval Barbosa me deu”, argumentou.

Eder Moraes reafirmou para a CPI das Obras da Copa, que atribui o prejuízo da má-execução das obras à gestão deficitária e pela falta de pulso. “Não seguiram a governança administrativa implantada, deixei na Secopa um manual correto para fazer acontecer, mas não seguiram, então o que mais prejudicou as obras foi a gestão deficitária e a falta de pulso”, concluiu.

Sessão 11/11/2015

Na sessão desta quarta-feira (11), serão colhidos depoimentos do ex-coordenador do grupo que comandou o plano operacional de trânsito e transportes da Copa 2014 em Cuiabá, o arquiteto e especialista em engenharia de transportes, Rafael Detoni.

E também o engenheiro Marcelo Rosemberg, da empresa Castro Mello Arquitetos, e o arquiteto Eduardo Castro Mello, que participaram da elaboração do projeto básico de arquitetura do estádio José Fragelli (Verdão) apresentado à FIFA como o estádio que sediaria os jogos em Cuiabá.

Texto: Marianna Ferreira (Assesoria )

Fotos: Fablicio Rodrigues (AL/MT)